Ao final dos anos 80, início dos 90, a Califórnia viveu um intenso movimento de bandas com variações musicais e comportamentais sobre o punk e o hardcore, especialmente com a influência do skate, da surf music e do ska, entre outras sonoridades. Nesse período, muitas das bandas deixaram de protestar contra o ''sistema'' e passaram a falar mais sobre o cotidiano dos jovens, com melodias que eles pudessem cantar e com as quais se identificassem mais facilmente. Um dos representantes dessa época é o No Use For a Name, que se apresenta em Curitiba durante sua turnê nacional.
''É a segunda vez que vamos para aí, estivemos em turnê em 2007, foi bem legal, tinha muita gente no show'', anima-se o vocalista e guitarrista Tony Sly, em entrevista por telefone, antes de embarcar para o Brasil. Além dele, integram o grupo Dave Nassie (guitarra), Matt Riddle (baixo e backing vocal) e Rory Koff (bateria).
Com sete álbuns na carreira, o No Use For a Name tornou-se popular no Brasil com ''The Daily Grind'' (1993), ''Leche Con Carne'' (1995) e ''Making Friends'' (1997), especialmente ''Leche Con Carne''. ''Não sabia que o álbum era tão popular até irmos para aí em 2007. Tinha muita gente mesmo, muita gente que nos conhecia e gostava de nosso som'', lembra o músico.
Do primeiro álbum, ''Incognito'' (1990), até o mais recente, ''The Feel Good Record of the Year'' (2008), muita coisa mudou no grupo. A sonoridade punk influenciada por metal deu lugar ao harcore melódico; a formação teve mudanças significativas, como a importante presença do guitarrista Chris Shiflett, hoje no Foo Fighters. ''Nossa música mudou muito, mas isso aconteceu de uma forma inconsciente. O importante é que nós não mudamos, então vejo que as mudanças que aconteceram na música foram naturais'', reflete Tony.
Assim como a banda, o cenário mudou. Hoje, o hardcore melódico com certa preocupação social transformou-se no chamado punk pop. ''É bastante diferente de quando começamos, muita água passou por debaixo da ponte nesses anos todos. Tivemos um exagero de bandas punk saindo do nada por aqui nos Estados Unidos. A internet foi boa para as bandas conseguirem divulgação mas, por outro lado, também ajudou a trazer muita porcaria'', avalia.
O show de amanhã terá composições de todos os álbuns, em especial o do mais recente. ''Esperamos que seja um bom show, vamos dar o máximo de nós e pretendemos tocar um pouquinho de cada álbum'', adianta Tony. Antes, sobem ao palco os grupos Offstage e Voltare.
Depois de Curitiba, o No Use For a Name passa por Santos e São Paulo, no sábado e domingo, respectivamente, e encerra a turnê brasileira no Rio de Janeiro, na terça-feira. Em seguida, o grupo volta aos Estados Unidos, onde também já pensa em voltar ao estúdio. ''Nós vamos lançar um novo álbum em breve''.
SERVIÇO- Show de No Use For a Name
Quando - Amanhã, à meia-noite
Onde - Ópera 1 (R. Jaime Reis. 313), em Curitiba
Quanto - R$ 40 (estudantes e doadores de um quilo de alimento) Mais informações - (41) 3315-0808

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