Rio Negro - Os trekkings na Floresta Amazônica são de suar a camisa. Passe repelente e protetor solar ou vista uma camisa de mangas compridas, calce um bom par de botas e use calça dê preferência às com bolsos nas laterais. Caminhar na selva é uma experiência enriquecedora, mas exige cuidados como esses. E um olhar bem atento.
Especialmente para identificar a riqueza da flora. Os guias, sempre muito solícitos, começam a aula ao ar livre explicando que o solo da Amazônia é arenoso e vive coberto de folhagem. Por conta disso, grande parte das árvores apresenta raízes superficiais para aproveitar os nutrientes que ficam por cima. Parece um grande xaxim.
A caminhada inicial é realizada na região do igarapé Trincheira, numa das áreas amazônicas de formação geológica mais antiga, com cerca de 70 milhões de anos. Nesse trecho, aparecem cipós e árvores de grande porte. Alguns troncos são usados pela população local para a construção de casas. Cascas e folhagens são aproveitados com propósitos medicinais.
Entre os turistas há uma grande expectativa de se deparar com algum bicho em seu hábitat natural. Mas os guias esclarecem que é muito raro observar animais na selva. O fato é que eles se afastam ao sentir o cheiro e ao escutar o barulho produzidos pelos humanos. Há 324 espécies de mamíferos catalogadas na Amazônia. Capivara, onça-pintada, anta, macacos e peixe-boi são as mais conhecidas.
No meio da floresta, o panorama fica, às vezes, meio nebuloso, com a presença constante de nuvens e muita umidade. O guia explica que isso ocorre por conta da evapotranspiração das árvores. ''A dinâmica da floresta é muito interessante'', observa o guia Wilcélio Spínola. É como se fosse uma grande sauna ao ar livre. ''Por volta de 25% do que é evaporado volta para a floresta em forma de chuva.'' A temperatura média é de 35ºC.
Tanto na região do Rio Puduari quanto na do Rio Cuieiras os turistas também realizam caminhadas bastante interessantes. Eles descobrem, por exemplo, que a Amazônia tem 27 tipos de palmeira catalogados, entre elas a do açaí. E são apresentados ao breu-branco, árvore da qual se extrai um substrato com múltiplas funções: é usado contra dor de cabeça, para desobstruir os brônquios e até como repelente natural.
E, entre outras curiosidades, conhecem o cipó ''escada de jabuti'', muito utilizado pelos locais para eliminar pedras nos rins. Há quem aproveite a deixa para brincar de Tarzan, dependurando-se nos cipós.
De quebra, ainda ouvem a lenda do xamã (líder espiritual indígena) que, numa época de guerras tribais por terra, teria feito uma lança virar flor para acabar com as brigas. Para ilustrar a narrativa, o guia usa a palheira. E os turistas se divertem com o ''efeito especial''. (F.V./AE)

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