NO TOM
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segunda-feira, 22 de abril de 2013
Marcos Roman 
Nos anos 70, a MPB ganhou um sotaque nordestino que rompeu as fronteiras da Bahia, já amplamente representada pelo cantor João Gilberto e os eternos Doces Bárbaros (Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia), entre outros grandes nomes. Cheios de garra e talento, paraibanos (Zé Ramalho e Elba Ramalho), pernambucanos (Alceu Valença e Geraldo Azevedo) e alagoano Djavan apresentaram a poesia, o ritmo e colorido do Nordeste para o resto do país.
Na migração nordestina o Ceará ganhou porta-vozes de peso como os cantores e compositores Fagner, Belchior e Ednardo. A versão feminina da trupe foi representada pela cantora Amelinha. O timbre doce e agreste da intérprete deu voz a sucessos que ainda hoje permanecem na memória de quem vivenciou uma das fases mais criativas da música popular brasileira.
Comemorando 30 anos de carreira, Amelinha revisita os maiores hits de sua trajetória no show "Janelas do Brasil", gravado no Teatro Fecap em São Paulo e que agora está sendo lançado em CD e DVD pela gravadora Lua Music em parceria com o Canal Brasil. No álbum a cantora optou por um tom camerístico. Acompanhada apenas por instrumentos de corda (violões, guitarras, bandolins e violas), executados pelo violonista Emiliano Castro e Dino Barioni, a cantora dá voz a grandes hits da carreira e introduz novas canções em seu repertório.
No novo trabalho, sucessos como "Foi Deus quem fez você" (Luiz Ramalho), "Água e luz" (Tavito e Ricardo Magno), "Frevo mulher" (Zé Ramalho) e "Mulher nova bonita e carinhosa" (Zé Ramalho) dividem espaço com as inéditas na interpretação da cantora como "O silêncio" (Zeca Baleiro), "Galos noites e quintais" (Belchior), "Asa partida" (Fagner), "Terral" (Ednardo). Destaque para a versão de "Quem me dera", que foi composta por Vinicius de Moraes na casa de Amelinha, em São Paulo, e lançada na trilha da novela Fogo Sobre Terra (TV Globo/1974). Há ainda uma homenagem a Luiz Gonzaga com Légua Tirana (Gonzagão e Humberto Teixeira).
Cantora de tons suaves e voz melódica, Amelinha desembarcou em São Paulo em 1970 com o objetivo de cursar Comunicação. Cinco anos depois a cearense estreou em palcos uruguaios na companhia de Vinicius de Moraes e Toquinho em shows realizados na cidade de Punta del Este. Em 1977, a intérprete lançou seu primeiro álbum, "Flor da Paisagem", produzido por Fagner. O primeiro disco de ouro foi alcançado no segundo trabalho "Frevo Mulher", lançado dois anos depois.
Mas a consagração popular de Amelinha se deu com a canção "Foi Deus quem fez você". Classificada em 2º lugar no festival MPB 80, da TV Globo, a música logo atingiu o topo das paradas de sucessos de emissoras de rádio FM e AM de todo o país e fez a cantora vender um milhão de compactos. Dois anos depois, a cantora cearense voltou às rádios interpretando a canção tema da minissérie Lampião e Maria Bonita (TV Globo) e o disco com a música "Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor" ficou entre os 50 mais vendidos daquele ano.
Contabilizando 13 álbuns em três décadas de carreira, Amelinha quebrou um jejum de 10 anos longe dos estúdios quando lançou o CD "Janelas do Brasil" em 2011. A versão ao vivo deste novo trabalho mostra que a cantora está em plena forma vocal e que seu canto sem firulas continua merecendo a atenção dos brasileiros.


