Tem sambista nova na roda. A cantora Lu Oliveira faz sua estreia no mercado fonográfico com o belo disco "Sou Eu". Produzido por Zé Renato (ex-vocalista do Boca Livre), o álbum da intérprete nascida em Niterói contou com tratamento cuidadoso que resultou num trabalho requintadíssimo e marcado pela brasilidade.
O primor começa pelo repertório. Lu selecionou pérolas nada óbvias de nomes como Moacir Santos e Nei Lopes ("Sou Eu"), Dorival Caymmi ("Dia de Graça"), João Donato e Lysias Enio ("Amor nas Estrelas"), Edu Lobo e Chico Buarque ("Na Ilha de Lia, No Barco de Rosa") e Djavan ("Delírio dos Mortais"), além de Zé Renato e Pedro Luís ("Paixão pelos Ares"), entre outros.
A delicadeza do canto da estreante encontra apoio perfeito em arranjos que a favor da sutileza abrem mão da inovação. Arranjadores de peso acostumados a trabalhar com grandes nomes da MPB como João Carlos Coutinho, Leandro Braga, Cristovam Bastos e Jaques Morelenbaum mais uma vez colocaram seu talento e sensibilidade a serviço do bom gosto e da elegância.
Apesar de afinado, doce e suave, o registro vocal de Lu Oliveira ainda não possui peculiaridades marcantes a ponto de diferenciá-la entre outras talentosas intérpretes aspirantes a estrela que assim como ela buscam um lugar ao sol. No entanto, ela mostra ter o foco que muitas cantoras já consagradas acabaram perdendo pelo caminho.
Outros fatores que contam pontos a favor de Lu é a espinha dorsal traçada para em seu primeiro CD e o estilo bem definido de seu trabalho. As canções, os arranjos e as interpretações soam harmoniosas do início ao fim do álbum. Além disso, a cantora foge da já desgastante fórmula adotada por muitas estreantes que na tentativa de soarem ecléticas e modernosas acabam se mostrando sem foco e não dizendo a que vieram ou aonde pretendem chegar.
Fã de Elis Regina, da bossa nova e do samba, Lu Oliveira estudou violão e teve banda aos 17 anos de idade. Porém acabou deixando a música para segundo plano e optou por fazer faculdade de Comunicação. Depois de formada enveredou pelo mundo da propaganda e conciliava a carreira de publicitária com a de cantora nas horas vagas, dando canjas pelos bares do Rio enquanto continuava seus estudos musicais cursando canto, violão e harmonia.
Somente aos 30 anos, a cantora deixou a música falar mais alto e resolveu se dedicar a ela tempo integral. Foi quando estreou, em 2010, o show "ABCD do Samba", levando para o palco suas versões de músicas de Ary Barroso e Dorival Caymmi. Após realizar diversas apresentações em casas cariocas, a cantora decidiu gravar seu primeiro disco de forma independente.
O encontro musical com o cantor e produtor Zé Renato mostrou que a afinidade entre os dois renderia bons frutos. E foi o que aconteceu. O disco soa despretensioso e merece ser ouvido.

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