Entrevistando Zélia Duncan sobre o lançamento do CD "Tudo Esclarecido" (tributo a Itamar Assunção) perguntei a ela que discos estava ouvindo ultimamente e a cantora me sugeriu conhecer o trabalho de Blubell. "Ela tem uma voz agudíssima, um timbre diferente e um trabalho muito bacana", enfatizou Zélia.
Alguns meses depois, assisti pela TV a um programa Ensaio transmitido pela TV Cultura em que Blubell era a atração da noite. Fiquei impressionado com o que ouvi. A cantora que transita na nova cena musical paulistana ao lado Tulipa Ruiz e Filipe Catto realmente faz um som que foge totalmente do trivial.
A voz de Blubell remete às grandes cantoras de jazz da década de 50. Interpretando standards do gênero e canções autorais, a cantora e compositora mistura com maestria o jazz e o pop levando os ouvintes a uma viagem no tempo. A voz, o repertório e os arranjos propiciam um atmosfera surreal capaz de agradar ouvidos exigentes e ávidos por sonoridades mais sofisticadas e fora do padrão radiofônico e pasteurizado que domina o mercado.
Nascida em São José do Rio Preto e batizada Isabel Fontana Garcia há 33 anos, a cantora adotou como nome artístico o apelido em inglês que a comparava à flor bluebell. Por sugestão de Arnaldo Antunes "abrasileirou" o nome retirando um "e".
A carreira musical iniciada há setes anos contabiliza três CDs lançados. A estreia aconteceu com o disco "Slow Motion Ballet", lançado em 2006 trazendo composições próprias e uma única regravação, a versão de Junk, de Paul McCartney. "Eu Sou Do Tempo Em Que A Gente Se Telefonava", o segundo CD, saiu em 2011 apenas com músicas autorais e participações especiais de Baby do Brasil e Tulipa Ruiz. O disco foi apontado pela revista Vip como um dos dez melhores do mundo naquele ano.
Colocado no mercado em 2013, o CD "Blubell & Black Tie" é mais eclético. O repertório vai de um rock do "The Who" ("My generation") a uma pérola imortal de Cole Porter ("Love for sale"), passando ainda por Edith Piaf ("La vie en rose"), George Harrison ("Long, long, long"), Björk ("It’s oh so quiet") e Michael Jackson ("Ben") até chegar a um samba de Nelson Cavaquinho ("Luz negra"). Ao lado da excelente banda Black Tie - formada por Mario Manga (voz e violoncelo), Fábio Tagliaferri (viola e ukulele) e Swami Jr. (baixo e violão de sete cordas) - Blubell comprova que tem talento para visitar universos distintos sem perder a originalidade.
Apesar de ainda ser desconhecida do grande público e trabalhar de forma independente, longe do mainstream das grandes gravadoras, aos poucos Blubell tem conquistado seu lugar ao sol. Em 2009, a música "Chalala", composta por ela, foi tema de abertura da série Aline, da Rede Globo. Em 2011, devido à popularidade de seus discos na terra do sol nascente, a cantora foi convidada pela embaixada do Japão a fazer um turnê por seis cidades japonesas, Tóquio, Nagoya, Kamakura e Yokohama.

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