NO TOM O incansável Ney
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terça-feira, 01 de outubro de 2013
Marcos Roman 
"Chega um momento em que a vida começa a devolver coisas pra gente. Tenho recebido tanta coisa que fico até pensando: será que vou morrer?" Essas foram as poucas palavras ditas por Ney Matogrosso ao ser homenageado com um troféu no encerramento da 15ª edição do Festival Kinoarte de Cinema. A cerimônia aconteceu na noite do último domingo, quando o cantor visitou a cidade para assistir ao delicado documentário "Olho Nu", sobre sua vida e obra, que foi exibido logo após a premiação.
Mas Ney parece não temer a morte. Isso fica evidente no documentário que mostra várias fases de sua carreira através de performances no palco e entrevistas.
Longe da acomodação que ronda vários artistas contemporâneos seus, o mato-grossense continua atento e forte, sempre se renovando e instigando seu público.
Com invejável vitalidade aos 72 anos de idade, atualmente o cantor tem corrido o Brasil com a turnê de seu mais recente show "Atento aos Sinais". Durante quase duas horas, com figurinos extravagantes e uma excelente banda, Ney interpreta 19 canções. Atualíssimo, o repertório passeia por obras de compositores novos a exemplo de Criolo ("Freguês da Meia-Noite"), Rafael Rocha ("Não Consigo") e Dani Black ("Oração"), ao lado de nomes consagrados, como Caetano Veloso ("Two Naira Fifty Kobo") e Paulinho da Viola ("Roendo Unha"), e novos talentos, além de Itamar Assumpção ("Fico Louco" e "Noite Torta").
Há alguns anos Ney inverteu a desgastada fórmula de lançar disco para depois sair em turnê. Após incursionar por várias cidades brasileiras, o cantor deve entrar em estúdio em breve para registrar o repertório do novo espetáculo. Mas os fãs do intérprete não precisarão esperar muito por um novo trabalho do ídolo.
A partir da próxima semana chega às lojas em CD e DVD mais um registro ao vivo feito pelo intérprete. Trata-se de "Infernynho", gravação de uma apresentação única do cantor ao lado da cantora Marília Bessy. No show apresentado no ano passado, no Rio de Janeiro, Ney dá voz a um set list erotizado com pérolas dos anos 70 e 80 como "Banho de Espuma" (Rita Lee e Roberto de Carvalho), "Por Debaixo dos Panos" (Cecéu), "Trepa no Coqueiro" e "Meu Sangue Ferve por Você" (sucesso de Sidney Magal).
Com a voz em plena forma, Ney está sempre de olho em novos talentos. O artista foi o primeiro grande nome a gravar músicas de Itamar Assumpção e Cazuza. Recentemente, ele emprestou seu prestígio ao compositor paulista Dan Nakagawa, mais um de seus afilhados artísticos. No recém-lançado CD e DVD Dan Nakagawa convida Ney Matogrosso, o mato-grossense interpreta quatro das 12 faixas do álbum ("Sangue Latino", "Um pouco de calor", "Todo Mundo o Tempo Todo" e "O Oposto de Dizer Adeus").
Ney é dono de uma das carreiras mais coesas dentro da música popular brasileira. Em quatro décadas dedicadas ao palco, intercalando shows com base roqueira com espetáculo que dá voz a grandes clássicos, o cantor acumula 33 discos lançados. Senhor absoluto dos palcos com suas performances teatrais, Ney continua roubando a cena. Vida longa ao eterno e incansável camaleão.


