NO TOM Maria Rita e o legado de Elis
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segunda-feira, 20 de maio de 2013
Marcos Roman 
Elis Regina costumava dizer que Maria Rita havia devolvido a ela a meiguice perdida, e ao ser questionada pela imprensa quanto ao que mais desejava para a filha, a gaúcha afirmava sem titubear: leveza!
No show que apresentou no último sábado em Londrina, a herdeira da "pimentinha" cativou o público mostrando que o desejo da mãe havia se cumprido. Mas além de leve, Maria Rita também mostrou que sabe ser densa, dramática, festiva e, acima de tudo, que tem talento, presença de cena e potência vocal para honrar o legado deixado pela mãe.
Com apenas 17 minutos de atraso (o show estava programado para às 19h30), a cantora entrou em cena já ovacionada pela plateia que a aguardava numa enorme tenda com cadeiras montada especialmente para o evento, no estacionamento do Catuaí Shopping, promotor do espetáculo. A acústica estava perfeita e, afinadíssima, Maria Rita deu início ao setlist com a música "Imagem", pouco conhecida do grande público. Depois de cantar "Arrastão" e "Como Nossos Pais", a cantora informou que estava com sinusite e pediu ao público que a "salvasse" caso tivesse alguma crise de tosse.
Porém, a voz não a traiu. Definindo-se como uma cantadora de histórias, acompanhada de um quarteto de músicos, Maria Rita desfilou 28 sucessos de Elis e contou vários episódios envolvendo a mãe famosa. Dividido em blocos, o espetáculo passeou por diversas fases da carreira de Elis, com foco político ("O Bêbado e a Equilibrista"), romântico ("Tatuagem"), irônico ("Vou Deitar e Rolar"), alegre ("Madalena"), reflexivo ("Redescobrir"), religioso ("Romaria") e com direito a homenagem a Cauby Peixoto e Ângela Maria, ídolos da gaúcha ("Bolero de Satã" e "Vida de Bailarina").
Logo no início, Maria Rita avisou que o show seria guiado pela emoção e convidou a plateia a cantar junto, dançar e se emocionar com ela. E foi o que aconteceu. Em vários momentos a cantora chorou e levou o público às lágrimas.
Reverentes, os fãs de várias gerações ouviram silenciosos as canções menos conhecidas e formaram um grande coral com cerca de quatro mil e quinhentas vozes ao interpretar os temas mais populares. No intervalo entre as canções, Maria Rita conversou com o público com total intimidade e mostrou que estava inteira e entregue ao público e sem pressa de sair do palco. O show que comprovou a imortalidade da obra de Elis Regina durou duas horas e meia, incluindo o bis, e ainda deixou os fãs com gosto de quero mais.
Pela segunda vez em Londrina (a primeira apresentação aconteceu em 2004), Maria Rita comprovou que estava certa ao esperar a consolidação de sua carreira antes de se arriscar a cantar o repertório de sua mãe. Agora, com milhões de cópias vendidas e com o amadurecimento obtido nos palcos, pode se dar o luxo de revisitar o irretocável e insuperável repertório de Elis. A herdeira tem feito isso deixando cada vez mais explícitas as semelhanças e diferenças entre as duas.


