Folha 2 Atualizado em 11/12/2012, 08:02
NO TOM Marcos Roman
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Marcos Roman 

TRIBUTO FAMILIAR
Tom Jobim sempre dizia que fazer sucesso no Brasil é uma ofensa pessoal. A vítima da vez é a cantora Maria Rita. Se antes ela era acusada de renegar a obra da mãe, agora é apontada por parte da imprensa como oportunista por ter gravado um tributo com os maiores sucessos de sua mãe Elis Regina. O tempo mostrou que a filha estava certa em conquistar primeiro seu espaço na MPB antes de se arriscar em regravações de versões definitivas dadas por Elis a canções que já fazem parte do inconsciente afetivo dos brasileiros. É caso de "O Bêbado e a Equilibrista", "Arrastão", "Romaria", "Madalena" e outras tantas músicas imortalizadas pela gaúcha. Ao visitar o universo musical incomparável daquela que para muitos é a maior cantora brasileira de todos os tempos, Maria Rita evidencia interessantes diferenças entre mãe e filha. Apesar da semelhança de timbres, a voz de Elis era bem mais extensa, clara e potente que a de Rita. A própria filha assumiu em entrevistas que teve dificuldade em alcançar certos tons da mãe. Elis também tinha um suingue que poucas cantoras conseguem acompanhar. Já Maria Rita, apesar de ser um intérprete intensa e com recursos vocais superiores às suas contemporâneas colegas de profissão, opta pela suavidade e constrói interpretações planejadas e milimetricamente estudadas, enquanto Elis preferia se jogar do trampolim sem rede de proteção criando versões definitivas das músicas que gravava. Comparações inevitáveis à parte, o emocionado tributo mostra que Maria Rita tem personalidade própria que se impõe mesmo em um registro reverente como é o caso de "Redescobrir".
FESTA LUXUOSA
Dono de harmonias sofisticadas, suingue e obra personalíssima, João Bosco comemora 40 anos de carreira revisitando clássicos e lados B de sua carreira e standards de outros mestres da MPB. No projeto retrospectivo "João Bosco 40 Anos Depois", editado em CD, DVD e Blu-ray pela Universal Music, o compositor mineiro gravou um show em estúdio em que mostra toda o virtuosismo de seu violão ímpar e dos vocais inconfundíveis. Além de instrumentistas super competentes, Bosco recebe convidados de peso para brindar seus 40 anos de carreira. Roberta Sá coloca sua voz precisa a serviço da canção "De Frente pro Crime". Chico Buarque divide os vocais com o anfitrião no samba enredo "O Mestre Sala dos Mares" e em "Bom Tempo". Já sem o brilho vocal de outrora, Milton Nascimento interpreta a emblemática "Agnus Sei". Deixando grandes sucessos populares de sua autoria de lado, o autor de "O Bêbado e a Equilibrista" se divide em sambas e jazz cantando temas de Paulinho da Viola ("Tudo se Transformou"), Tom Jobim ("Fotografia"), Noel Rosa ("Pra que Mentir") e Ernesto Grenet ("Drume Negrita"). Entre as músicas menos conhecidas de sua coesa discografia estão composições antigas, como "Plataforma" (composta em parceria com Adir Blanc e gravada em 1977) e recentes, caso de "Eu Não Sei Seu Nome Inteiro" (assinada com o filho e Francisco Bosco e João Donato e incluída no belo álbum "Não Vou pro Céu Mas Já Não Vivo no Chão", de 2009). Apesar de tecnicamente perfeito, o registro soa por vezes burocrático, provavelmente pela falta de plateia, mas se por um lado falta emoção por outro tem como ponto positivo a pureza do som sem gritos e ruídos típicos das apresentações ao vivo.
Ensaio geral
- A cantora Bebel Gilberto gravou esta semana seu primeiro DVD com um show na praia do Arpoador, no Rio de Janeiro. O trabalho será lançado em 2013.
-O álbum solo da atriz e cantora Zezé Motta, gravado em 1978 com clássicos de Caetano Veloso, Luiz Melodia e Rita Lee, está sendo reeditado pelo selo Discobertas.


