Violonista, cantor e compositor, o nome de Jaime Alem até pouco tempo atrás esteve diretamente associado à cantora Maria Bethânia por conta de uma produtiva parceria profissional que durou três décadas. Após deixar o cargo de diretor musical e arranjador dos discos e shows da intérprete baiana há dois anos, o músico acaba de lançar pela gravadora Biscoito Fino seu segundo disco solo, intitulado "Meu Relicário".
Com atmosfera intimista, o CD reúne 12 músicas autorais do artista, entre baladas, modas de viola, chula, canções, temas instrumentais. Versátil, o repertório passeia por dois clássicos de Luiz Gonzaga: "Baião" e "Baião da Penha" e termina com uma suíte sinfônica e uma sonata compostas por Alem.
Assim como define o título, o disco traz relíquias afetivas do maestro que ficam explícitas a cada faixa. "Tenho recebido muitos elogios por conta do forte tom emotivo que o CD desperta em quem o ouve. Fico feliz por todas as músicas refletirem isso. Gostei muito do resultado deste trabalho em que tenho a oportunidade de retratar meu olhar sobre a vida através das minhas composições que vão da moda de viola até o trecho de uma suíte sinfônica que estou compondo", diz o maestro em entrevista por telefone à FOLHA.
O universo particular do músico tem forte sotaque mineiro. "Nasci no interior de São Paulo, mas minha família inteira mora no sul de Minas Gerais e foi lá que passei minha infância e adolescência. Eu era um menino que amava os Beatles e os Rolling Stones e que sofreu forte influência do Clube da Esquina, antes de se apaixonar também pela música clássica. Nunca tive preconceitos em relação à música e me sinto realizado trabalhando com diversos estilos", afirma Jaime.
Além de abordar temas que retratam situações cotidianas e falam da valorização de coisas simples da vida, o novo álbum marca o retorno da parceria de Jaime com a cantora Nair Cândia, que participa de quatro faixas de "Meu Relicário". "Já havíamos gravado três discos juntos: 'Jaime e Nair' (1974), 'Amanheceremos' (1979) e 'Um banquinho, um violão' (2001). Agora resgatamos essa parceria no estúdio e também em shows que faremos para divulgar o novo CD. Considero ela a melhor intérprete das minhas canções", afirma Jaime ao se referir à esposa, com quem está casado há 42 anos.
O maestro, que toca viola e violão desde a adolescência e estudou regência com o músicos clássicos como o maestro Guerra-Peixe, revela que por ora pretende se dedicar à carreira solo. Mas não descarta a possibilidade voltar a trabalhar novamente como maestro de outras cantoras da MPB, após o rompimento profissional inesperado com Maria Bethânia. "Recentemente fui convidado pela Leila Pinheiro para tocar com ela em um festival de jazz na Alemanha. Temos muita afinidade musical, pode até ser que venhamos a trabalhar juntos no futuro, mas agora só estou pensando mesmo é em divulgar o meu novo disco", enfatiza.

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