NO TOM Com o foco na diversidade
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terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Marcos Roman 
Denominada axé music, a atual música produzida na Bahia nem de longe lembra nomes notáveis como Dorival Caymmi e Caetano Veloso. Em depoimento a um programa dedicado a Daniela Mercury na série Grandes Nomes, exibido recentemente pelo canal Multishow, Ivete Sangalo, a maior representante do segmento, afirmou que "se existe alguma coisa que presta atualmente música baiana é Daniela Mercury".
Apesar do repertório irregular que faz parte de seus discos, Daniela sempre se mostrou inquieta sem nunca ter abandonado as raízes afro que servem de base para as canções afirmativas que sempre fizeram parte de seu trabalho. Até mesmo em cima dos trios elétricos do popularíssimo carnaval baiano ela tem ousado a cada ano. A baiana já usou a festa popular para homenagear Dorival Caymmi, resgatou as trilhas sonoras que fizeram parte da história do cinema nacional, mesclou o samba-reggae com beats eletrônicos e levou até a obra de Villa-Lobos ao universo carnavalesco ao ter seu canto popular acompanhado por um pianista clássico em cima de um trio elétrico.
Depois de ter sua vida íntima estampada em todas as capas de revista ao assumir seu relacionamento com a jornalista Malu Verçosa, Daniela agora levanta a bandeira da diversidade ao entoar os versos da canção "Paula e Bebeto", composta por Caetano Veloso e Milton Nascimento na década de 70, cujos versos bradam o romance isento de restrições: "qualquer maneira de amor vale a pena / qualquer maneira de amor vale amar / qualquer maneira de amor vale o canto / qualquer maneira de amor valerá".
A música faz parte do repertório do recém-lançado disco "Daniela Mercury e Cabeça de Nós Todos", em que a cantora se une ao grupo de músicos e compositores baianos formado por Aila Menezes, Deco Simões, Emerson Taquari, Leonardo Reis, Mikael Mutti e Sérgio Rocha. A parceria resultou em um disco com sonoridade retrô e que rende bons momentos intercalados com faixas menos inspiradas.
O samba serve de matriz para o CD, que traz predominantemente canções inéditas e assinadas por integrantes do "Cabeça de Todos Nós". É caso de "Sei lá"(Aila Menezes, Leonardo Reis, Emerson Taquari, Mikael Mutti e Sérgio Rocha), que ganha vocais suaves na interpretação pop de Daniela. Na mesma seara estão "Alma feminina" (Aila Menezes e Mikael Mutti) e a romântica "Seda azul" (Deco Simões e Karina Faria).
O suingue baiano festivo é representado pelas faixas "Neguinho maravilha" (Mikael Mutti), música que narra a história de um menino apaixonado por futebol e que parece ter sido composta com foco na Copa do Mundo de 2014, assim como "Cheia de graça" (Daniela Mercury e Gabriel Póvoas), que aponta semelhanças entre o charme das mulheres e o encanto da bola de futebol rolando no campo. O ritmo dançante também está presente nas balançadas versão de "Aquele abraço" (Gilberto Gil) e "Couchê" (Adson Tapajós, Zeca Brasileiro e Sérgio Rocha), samba angolano com letra e melodia maliciosas.
Devido ao set list irregular, o novo disco não representa um up grade na carreira de Daniela à altura do talento da cantora, mas atesta que a baiana poderia alçar voos bem mais altos se tivesse mais critério na escolha do repertório.


