NO TOM -A volta triunfal de Baby
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Por Marcos Roman 
No Brasil é comum astros das décadas de 1970 e 1980 que eram considerados bregas naquela época ressurgirem na mídia com uma aura cult depois de enfrentarem anos de ostracismo. Além de reavivar memórias e estreitar o contato com novas gerações, esse resgate muitas vezes permite a valorização de músicas e artistas subestimados por uma meia dúzia de críticos pautados por preconceitos.
O exemplo mais atual desse "fenômeno" é o ressurgimento da cantora Baby do Brasil. Em turnê com a cantora Gal Costa, o guitarrista Pedro Baby foi incentivado pela diva baiana a tocar com sua mãe. Entusiasmado com a sugestão, o músico montou uma banda afinadíssima e trouxe de volta aos grandes palcos a figura colorida, alegre e entusiasmada que invadiu as paradas brasileiras na década de 70 como vocalista do grupo Novos Baianos.
O repertório do show intitulado Baby Sucessos é formado por alguns hits dos Novos Baianos, como "A menina dança", "Acabou chorare" e "Mistério do planeta", todas compostas por Moraes Moreira e Galvão e lançadas em 1972. O set list conta ainda com clássicos da safra em que fazia dupla com o marido e guitarrista Pepeu Gomes, como "Telúrica" (Baby do Brasil e Jorginho Gomes - 1981), "Todo dia era dia de índio" (Jorge Benjor-1981), "Sem pecado e sem juízo" (Baby e Pepeu Gomes-1985) e "Menino do Rio", composta por Caetano Veloso especialmente para a cantora nascida em Niterói.
Caetano, aliás, tem feito participações especiais nesta canção nos shows que Baby tem apresentado desde o segundo semestre do ano passado com grande sucesso de público e crítica em grandes casas de shows do Rio de Janeiro e São Paulo. Empresariada por Paula Lavigne, ex-esposa de Veloso, Baby começa a sair em turnê por outras cidades brasileiras e seu novo espetáculo em breve deve ganhar registro em CD e DVD.
Depois de terminar o casamento com Pepeu Gomes e seguir carreira solo, Baby se tornou evangélica no final da década de 90 e passou a se dedicar à música gospel. Na montagem do show Baby Sucessos a cantora cedeu à exigência do filho de não incluir nenhuma música da fase religiosa no roteiro do espetáculo.
Mesmo evangélica, Baby continua usando o cabelo pintado (atualmente de roxo). O figurino extravagante e a alegria indomada da intérprete também foram conservados. No palco, a carioca mostra toda a sua ginga e prova que a voz continua ótima, assim como a atitude irreverente que marca suas apresentações.
Nos últimos anos Baby foi mais comentada pelas entrevistas hilárias a programas de TV em que a cantora narra episódios místicos que resultaram em sua conversão espiritual. Crenças religiosas à parte, não se pode negar o grande talento da cantora que sempre dá um tapa na mesmice e agora volta a colocar todo mundo para dançar ao som brasileiríssimo de sua música que está muito acima do eterno dilema entre o sagrado e o profano.


