NO TOM A eterna alegria de Alcione
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segunda-feira, 14 de outubro de 2013
por Marcos Roman 
Alcione está com disco novo na praça. A melhor notícia é que o CD, batizado de "Eterna Alegria", faz jus ao título e não pode ser considerado simplesmente mais um na discografia da "Marrom". A cantora voltou a dar voz aos sambas empolgantes que eram marcas registradas de seus primeiros trabalhos antes dela se render de vez às baladas dor de cotovelo que a colocaram nos topos da paradas.
Mas os fãs da face romântica da cantora não precisam se preocupar. As canções de amor despudoradas bem ao estilo da maranhense também fazem parte do novo trabalho, comprovando que Alcione consegue valorizar qualquer canção com sua poderosa voz e interpretações intensas e dramáticas que não destoam de sua verve essencialmente popular.
Logo na abertura do disco, na faixa que dá título ao trabalho, Alcione já evidencia o conceito que norteia esse projeto cantando os versos escritos por Julio Alves, Carlos Jr, Ramirez e Alex Almeida: "nasci pra fazer esse povo cantar/ se faltava alegria/ acabou de chegar/ manda a tristeza pra outro lugar/ que o samba não pode parar".
Um dos destaques do disco é a primeira composição assinada por Djavan em parceria com Zeca Pagodinho, que presentearam a "Marrom" com o belo samba "Ê, e". A nova safra de sambas da maranhense conta ainda com músicas de Arlindo Cruz ("Ogum Chorou Que Chorou"), Jorge Aragão ("Por ser mulher"), Paulinho Resende / Nenéo ("A dona sou eu") e Xande de Pilares, Gilson Bernini e Brasil do Quintal , que escreveram a ufanista e contagiante "Produto Brasileiro".
Já o romantismo é representado por fortes candidatas a hits como como "Pontos Finais (Ana Carolina / Chiara Civello / Dudu Falcão), balada com toques de blues, "Sem Palavras" (Francis Hime / Thiago Amud) e Sentença (Serginho Meriti, Claudemir e Ricardo Moraes).
Produzido por Jorge Cardoso, o disco conta com ótimos arranjos dos maestros Ivan Paulo, Julinho Teixeira e Paulo Calasans, que souberam valorizar o canto quente de Alcione embalando sua performance com instrumental forte e bem marcado no ponto exato e sem pasteurização. Enfim, é um belo disco, à altura do talento inquestionável de Alcione.
Lançado pela gravadora Biscoito Fino, "Eterna Alegria" é o 38º disco de Alcione. A cantora nascida em São Luís, capital do Maranhão, estreou no mercado fonográfico com o disco "A Voz do Samba" emplacando sucessos como "O Surdo" e "Não Deixe o Samba Morrer".
Colecionando sucessos e discos de Ouro e Platina ao longo da carreira, Alcione se firmou como uma das maiores sambistas e intérpretes do país. No entanto, do final da década de 80 até meados dos anos 2000 os sambas ensolarados - que embora não tenham sido totalmente abandonados por ela - cederam espaço para baladas dor de cotovelo que prevaleceram na obra da intérprete. "Eterna Alegria" chega para iluminar novamente o canto perculiaríssimo e inimitável da "Marrom".


