NO TOM - Sons do Norte
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Marcos Roman 
Misturando sons típicos da região amazônica com elementos do universo pop, Marco André tem levado seu caldeirão de ritmos Brasil afora, conquistando um ouvintes e críticos isentos de preconceito em relação ao tecnobrega produzido no Norte. Multi-instrumentista, o cantor e compositor paraense acaba de colocar no mercado seu mais recente CD. Lançado de forma independente, "Nem Revi Nem Laite" traz 10 faixas marcadas por carimbós, guitarrada, frevo, rumba e baladas que mostram as influências latinas absorvidas pela proximidade do Pará com o Caribe.
O disco autoral também apresenta sonoridades brasileiras como samba de roda e frevo. Além do ritmo contagiante, as composições de Marco André são marcadas por letras leves e bem humoradas. Entre os destaques estão a faixa que abre o álbum, "O bulling do brega", que fala com ironia da mudança de tratamento por parte da mídia que antes ignorava autores bregas e depois da invasão do tecnobrega passou a chamá-los de "mestres".
Em "Rumbero tecnoloco", o artista aposta na mistura de rumba com pitadas de guitarras paraenses. "Só risos" é um bolerão com cara de cabaré. Já "Carimbó Everybody" tem arranjos que acrescenta sonoridades com sotaques diversos ao ritmo tão presente na cultural paraense. "Insight" encerra o disco e foi inspirada em um e-mail de um médico que recomendava que o cantor não pegasse nem muito leve e nem muito pesado na dieta, surgiu aí o título do álbum "Nem Revi Nem Laite".
Além dos vocais e das composições autorais, na gravação do CD Marco André assumiu diversos instrumentos como violão, cavaquinho, percussão e guitarra. O músico também inseriu sons de instrumentos artesanais no estúdio. O bajo de carimbó, produzido por pescadores paraenses, com cordas de linha de pesca e corpo feito com panela de aço, é um desses exemplos. Teve ainda o curimbó, tambor feito com tronco de árvore maciço escavado e couro de pele de veado que pesa 70 quilos. Os arranjos, as programações eletrônicas e a produção do CD foram divididos com Alex Moreira, integrante do grupo Bossacucanova.
Com carreira iniciada no começo dos anos 2000, Marco André tem investido nas sonoridades do tecnobrega muito antes do ritmo invadir as paradas nas regiões Sul e Sudeste do país. As misturas inusitadas promovidas pelo artista fizeram com que a música produzida por ele rompesse fronteiras.
Em 2005, a Froots Magazine indicou o disco de estreia do paraense, "Amazônia Groove" (2004), como um dos 10 melhores CDs do ano na Europa. Faixas do primeiro e do segundo disco, "Beat iú" (2007), alimentaram importantes coletâneas internacionais lançadas nos Estados Unidos e na Europa, rendendo vários elogios ao artista brasileiro. Despretensioso, o som de Marco André contagia pelo ritmo caliente e dançante que vem do Norte.


