Depois de uma década dedicada exclusivamente ao samba como vocalista do grupo Casuarina, um dos expoentes do renovado circuito boêmio carioca da Lapa, João Cavalcanti lança seu primeiro CD solo. ''Placebo'' é um trabalho autoral que revela um compositor inspirado e eclético. Com originalidade, João passeia por canções românticas, tango, samba, rock, pop e frevo marcados por letras instigantes e arranjos precisos. Embora tenha optado por trilhar caminho próprio sem ficar à sombra do pai famoso (o cantor e compositor Lenine), aos 32 anos Cavalcanti mostra que herdou dele a pungência e a mistura de estilos. Em entrevista à coluna por telefone, o músico fala sobre os novos desafios.
Como você define seu primeiro CD solo?
É um trabalho confessional e íntimo de composições que falam sobre verdades minhas que não cabiam no universo do Casuarina. Fizemos o CD sem compromisso com questões estéticas e sem preocupação com conceitos pré-definidos. É um disco totalmente autorreferencial que serviu para expor minhas feridas e expulgar meus demônios.
Por que o álbum foi batizado de Placebo?
Placebo é uma substância sem efeitos farmacêuticos usada como se fosse remédio para obter a cura. Para mim a música é um placebo pois tem essa mesma capacidade de curar as pessoas.
Quais são suas referências musicais?
Sting, Stevie Wonder, Jorge Drexler e Chico Sciense e principalmente meu pai (o cantor e compositor Lenine)
De que forma o trabalho dele te influencia?
Tudo o que ele faz me toca, algumas coisas mais profundamente e outras menos, mas nada passa despercebido. Além de achá-lo um ótimo compositor, fico embasbacado com a forma como ele toca violão.
O que te inspira a compor?
Qualquer coisa. Pode ser o sorriso da minha filha, o badalar de um sino de uma igreja, a agonia do caos do trânsito. Enfim qualquer situação cotidiana.
Pretende lançar outros trabalhos solos?
Sim. Acho que dá pra conciliar perfeitamente a carreira solo e o trabalho com o Casuarina.

SERVIÇO
* ‘‘Placebo’’
Artista – João Cavalcanti
Gravadora – Warner Music



TRIBUTO COSMOPOLITA
Em comemoração aos 70 anos de Caetano Veloso, o produtor britânico Paul Ralphes convidou músicos estrangeiros e brasileiros para reverenciar a obra do cantor e compositor baiano. ''A Tribute to Caetano Veloso'' traz 16 faixas interpretadas por um time diversificado que comprova o tom cosmopolita e atemporal que permeia a obra do homenageado. Há versões interessantes como o pop do grupo inglês Magic Numbers na faixa ''You Don't Know Me'', o arranjo groove que dá destaque à brasileira Luísa Maita em ''Trilhos Urbanos'' e o clima lounge ambientado pelo americano Beck na música ''Michelangelo Antonioni''. A lista de súditos conta ainda com Seu Jorge, Céu, Jorge Drexler, Marcelo Camelo, Chrissie Hynde e Miguel Poveda, entre outros.

Criado entre a Argertina e os Estados Unidos, o músico Kevin Johansen expõe suas influências musicais em seu sexto disco, intitulado Bi. A capa que traz fotos da mãe argentina e do pai norte-americano já evidencia a proposta do artista, que interpreta temas que vão do tango ao pop, passando por canções folclóricas argentinas. Há até uma interessante releitura de Modern Love, sucesso de David Bowie. Juntamente com o grupo The Nada, Johansen mescla canções compostas em inglês e espanhol com arranjos contemporâneos e participações dos brasileiros Daniela Mercury (Apocalypso) e Paulinho Moska (Tan Facil), entre outros músicos latino-americanos.

Contando com as participações de Milton Nascimento e da Orquestra Filarmônica de Cordas, Daniel Lopes aposta nas parcerias e no romantismo em seu segundo disco, ''Bonito''. Com letras singelas e arranjos suaves, a exemplo das canções ''Coldest Heart'' e ''Distância'', o cantor e compositor fala de paixões, encontros de desencontros de forma delicada e intimista. Apesar do trabalho totalmente autoral não ser de grande impacto, Daniel consegue imprimir sua bossa com estilo e leveza. Parceiro do cantor Leoni, Lopes é autor de jingles publicitários de sucesso no Brasil e este ano marcou sua estreia em trilhas de cinema ao ter sua obra incluída no filme ''Open Road'', que tem Andy Garcia e Camilla Belle no elenco.

ENSAIO GERAL

- Maria Rita lança hoje, em CD e DVD, o registro do show ''Redescobrir'', em que interpreta sucessos eternizados por sua mãe Elis Regina.

- Gal Costa concluiu no Rio as filmagens do premiado show ''Recanto'', dirigido por Caetano Veloso, mas ainda não há data prevista de lançamento do DVD.

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