"Corpo de Baile" é o 10º disco lançado por Mônica Salmaso. Garimpar pérolas do cancioneiro nacional é uma missão que a cantora tomou para si desde que estreou no mercado fonográfico, em 1995, com o excelente álbum "Afro-Sambas", no qual reuniu composições de Baden Powell e Vinicius de Moraes.
Avessa aos modismos das gravadoras comerciais pautadas em hits efêmeros, Mônica segue fiel ao seu propósito, sempre pautada pelo bom gosto e longe das obviedades.
No novo álbum, a intérprete volta a colocar todo seu talento a favor da boa música ao se enveredar por canções densas, poéticas e atemporais compostas por Guinga e Paulo César Pinheiro. "Para mim não importa a idade das canções. Jamais sou substituir uma música composta há décadas por uma nova somente pela questão do tempo em que ela foi criada", afirmou a cantora em entrevista à FOLHA.
Logo no início de carreira, após gravar duas faixas da dupla "Saci" e "Senhorinha", a cantora conta que ficou curiosa para conhecer outros frutos dessa parceria. "Pedi ao Paulinho (Paulo César Pinheiro) outras músicas e ele gentilmente me cedeu várias, incluindo as inéditas "Fim dos Tempos", "Navegantes", "Rancho das Sete Cores", "Sedutora" e "Corpo de Baile". E outras pouco conhecidas. Achei interessante acrescentar no repertório "Bolero de Satã", que se tornou a mais conhecida das composições dele com Guinga ao ser gravada por Elis Regina com a participação de Cauby Peixoto, no álbum "Essa Mulher", de 1979.
Ao encarar as melodias e harmonias complexas criadas por Guinga e as letras profundas de Paulo César Pinheiro, Mônica falou sobre o maior desafio que encontrou durante a gravação do disco. "Tive que achar um limite entre a minha leitura da obra e o respeito às características das canções. Eles tinham um tesouro guardado e eu tinha que apresentar isso de uma forma bacana e fiel. É diferente de regravar "Valsinha", do Chico (Buarque), que todo mundo já conhece e permite certas ousadias. Mas acho que conseguimos um resultado legal", avaliou.
Mônica acredita que o salto positivo foi obtido pela gama variada de arranjadores que trabalharam no projeto, entre eles Dori Caymmi, Tiago Costa, e Nelson Ayres. "Conversamos muito sobre a visão que a gente tinha de cada música, em quais poderíamos ousar e sobre as que precisávamos conservar a forma como foram criadas. Dessa maneira conseguimos dar cores diversas a cada faixa. Estou muito feliz em poder mostrar toda essa riqueza musical que temos no Brasil", salienta.

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