Luiz Melodia acaba de lançar seu 15º disco, intitulado "Zerima". Com predominância de sambas, o álbum produzido para a gravadora Som Livre traz a musicalidade latente e peculiar do cantor e compositor carioca em sua plenitude. No novo álbum, o autor de "Pérola Negra" presenteia os ouvintes com 14 faixas, nas quais desfila todo o seu swing e coloca sua voz aveludada a serviço do bom gosto com interpretações e arranjos precisos.
Parceria com Ricardo Augusto, a música "Cheia de Graça" abre o disco mostrando todo o gingado e delicadeza que norteia a obra de Melodia. Na sequência, o carioca divide o microfone com a cantora Céu, cujos vocais suaves remetem às serenas interpretações de Rosa Passos na música "Dor de Carnaval". Assinada por Melodia, a faixa conta a história da derrota de uma escola de samba em versos inspirados e dolentes da música que nasce com potencial para se tornar mais um clássico da carreira do compositor.
Canção que dá título ao disco, "Zerima" é outra pérola delicada esculpida da safra de novas composições de Melodia. Assim como as românticas "A Cura" e "Sonho Real", ambas compostas em parceria com Renato Piau. Já a tradicional mistura de samba com blues que o carioca mescla com maestria está presente na faixa "Papai do Céu" (Luiz Melodia).
E se o lado compositor aparece inspirado neste ótimo disco, a versão intérprete também se mostra em plena forma. A voz inconfundível do carioca atualiza "Nova Era", samba pouco conhecido de Ivone Lara e Décio Carvalho, lançado por Dona Ivone no disco "Sempre a Cantar" (2004). Em "Zerima", Melodia volta a abordar a obra do compositor capixaba Sérgio Sampaio, de quem revive "Leros e Leros e Boleros" (1973). E do mar de Caymmi, regrava o terno hit "Maracangalha"(1956), com introdução de um rap composto por Mahal Reis, filho de Melodia. A conexão familiar também se faz presente com "Moça Bonita", canção dançante que evoca os sambas de roda da Bahia e que é assinada por Jane Reis, sua esposa.
Nascido no Rio de Janeiro de 1951, Luiz Melodia lançou seu primeiro disco, "Pérola Negra", em 1973, após ter ganhado destaque no cenário nacional ao ter a faixa título lançada por Gal Costa um ano antes, no álbum "Gal a Todo Vapor".

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