NO TOM - A eletrizante Maria Alcina
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segunda-feira, 08 de setembro de 2014
Por Marcos Roman 
O visual exuberante, a voz grave, o entusiamo eletrizante e a irreverência típica de Maria Alcina animaram o público que prestigiou o show que a cantora fez na Concha Acústica na última sexta-feira. Atração musical do 46º Festival Internacional de Londrina (Filo), ela subiu ao palco por volta das nove da noite e por pouco mais de uma hora comandou um típico baile de Carnaval ao ar livre, entoando sambas, marchinhas, forrós e até funk.
Em pleno vigor físico e vocal aos 65 anos, a cantora iniciou a apresentação com a música "Eu sou Alcina". Autobiográfica, a canção é um presente dado a ela por Zeca Baleiro e que também abre o repertório do disco "De Normal Bastam os Outros", álbum comemorativo às quatro décadas de carreira da intérprete e que serviu de base para boa parte do set list apresentado no palco.
Acompanhada por quatro músicos, Alcina botou pra quebrar convocando o público a a cantar com ela os refrões de várias canções do disco recém-lançado. Mas, como era de se esperar, foi durante as execuções dos grandes sucessos da artista que cantora e plateia se sintonizaram em coro entoando as letras de duplo sentido que arrancaram risos do público.
Eclético, o público formado por várias faixas etárias, acompanhou o ritmo alucinante de Alcina em diversos momentos, como em "Fio Maravilha", composição de Jorge Ben Jor com a qual ela venceu a fase nacional do Festival Internacional da Canção de 1972, ganhando projeção nacional. Com o mesmo entusiasmo o público fez coro nas músicas "Kid Cavaquinho" (João Bosco e Aldir Blanc), gravada por ela em 1974, no LP "Maria Alcina" e se soltou com os versos maliciosos e engraçados de "Prenda o Tadeu" (Antônio Sima - Clemilda) e "Bacurinha" (Domínio Público).
Lançada no mercado fonográfico em 1972 com um disco que trazia duas músicas de Jorge Ben Jor, "Fio Maravilha" e "Charles Júnior", em 42 anos de carreira Maria Alcina lançou 15 compactos e oito álbuns. Produzido por Thiago Marques Luiz, o mais recente CD "De Normal Bastam os Outros" é um dos melhores trabalhos de Alcina. Aclamado pela crítica especializada, o novo álbum mostra a intérprete antenada com o cenário musical contemporâneo ao trazer para o seu universo canções inéditas de Felipe Cordeio ("Fogo da Morena"), Karina Buhr ("Cocadinha de sal") e Arnaldo Antunes, na faixa que dá título ao disco. Tem ainda a canção de Zeca Baleiro "Eu sou Alcina" que por meio de diversos adjetivos como "sapeca/ moleca/ altiva/ ativa/ montada e ladina/ uma safada fada fadada/ a ser o que eu sou", define a personalidade forte, festiva e peculiar da cantora.


