No tempo das vacas magras
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terça-feira, 25 de novembro de 2008
Márcia Maio<br> TV Press 
Nem sempre o caminho percorrido até alcançar a carreira dos sonhos é fácil. De camelô a porteiro de condomínio de luxo, alguns profissionais da tevê brasileira tiveram de ''se virar'' de alguma forma até chegar ao objetivo principal: seguir a vida artística. É o caso de Aílton Graça. Intérprete do divertido Jacaré, de ''Três Irmãs'', o ator costuma dizer, com orgulho, que já fez ''de tudo, um pouco''. Inclusive vender produtos importados em uma feira. O que, jura, fazia com diversão. ''Ia muito ao Paraguai comprar minhas coisinhas. Na época, quando perguntavam se aquele era o meu trabalho, eu sempre dizia que ia virar artista'', lembra o ex-sacoleiro, emocionado.
Outros, porém, não têm tão boas lembranças de quando tiveram de se sustentar em trabalhos que não gostavam. Foi o que Glória Maria fez quando, ao cursar Jornalismo, foi chamada para estagiar na Globo. Sem condições de custear os estudos e se manter como estagiária, a ex-apresentadora do ''Fantástico'' fez jornada tripla, dividindo-se entre a emissora, a faculdade e uma vaga de telefonista. ''Durou só seis meses. Depois não deu mais para conciliar'', resume. Jackson Antunes, que encarna o brutal Leonardo, em ''A Favorita'', também teve de se manter longe da interpretação. ''Sou pintor-letrista. Quando percebi que não dava para viver de teatro, fui atrás de uma habilidade diferente'', justifica. Humberto Martins foi outro que suou a camisa antes de tirá-la em diversos personagens de novelas. ''Trabalhei em fábrica, com mecânica, marcenaria, fibra de vidro, materiais de construção, obras, banco, vendas... Tenho uma boa bagagem de vida'', aponta.
Sílvio de Abreu precisava ganhar dinheiro. Mas tentou não fugir tanto de seu foco principal: as artes. O autor de sucessos como ''A Próxima Vítima'' e ''Guerra dos Sexos'' começou como office-boy em uma loja de discos de São Paulo aos 16 anos e ficou na empresa até os 23, quando iniciou carreira como ator. ''Em seis meses eu já era gerente. Cursei a Escola de Arte Dramática enquanto trabalhava na loja e só saí para começar a atuar'', explica ele. Ana Maria Braga também começou, indiretamente, em sua atual área, de comunicação e entretenimento. Mas só se transformou em celebridade depois de ser demitida do cargo de diretora comercial da editora Abril. ''Eu tinha quase 40 anos e poderia ter sido uma barra para mim. Mas, graças a Deus, foi o grande acerto da minha vida'', enaltece a apresentadora do ''Mais Você''.
Aproveitar as habilidades da carreira antiga com a de ator foi fácil para Ary Fontoura. Tanto que interpretar o vilão Silveirinha em ''A Favorita'' o faz relembrar seu passado antes da televisão. Ele começou profissionalmente no ramo musical, aos 19 anos. Além de cantar em bailes acompanhado de uma orquestra, Ary chegou a gravar um LP pela Copacabana Discos. ''Mas eu era um ilustre desconhecido na música'', reconhece. E foi a música que o ajudou a abrir outras portas no rádio. Assim, Ary conseguiu alavancar sua carreira nos folhetins, deixando os dotes vocais apenas para usar nos trabalhos de interpretação. ''Preferi me tornar um ator que canta. Acho que foi melhor assim'', analisa.


