NO STRESS - Manifesto contra o 'mal do século'
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de agosto de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Uma pílula para acordar. Outra para almoçar. Uma antes do jantar e outra para dormir. O mundo virou tarja preta. O culpado disso? Quem? Quem? O estresse. Contra gripes, resfriados, dores de cabeça - que o chamado mal do século pode causar - um surto artístico.
O stressionismo, como defendem os adeptos, não é um movimento, mas um surto. Um soco no estômago na cultura do estresse destes tempos bicudos.
Não chega a ser um conceito, que busca uma nova estética, mas, dizem os entendidos, pretende reciclar a estética.
O Manifesto da Arte Stressionista, um manifesto contra qualquer outro manifesto, diz em suas tábuas da lei que os ''desestressionistas'' são os que buscam na arte uma forma de desestressar, fazendo uso dela como terapia ocupacional ou arte-terapia.
O stressionismo nasceu de brincadeira nos corredores do Curso de Artes da Universidade Estadual de Londrina (UEL), em 2002, mas não morreu. Remanescentes ainda andam por aí espalhando as idéias, principalmente em blogs (www.stressionismo.blogspot.com) e vídeos no YouTube (youtube.com/user/wi3000).
Wilson Inácio e Willian Alexandre dos Santos Silva fazem parte desse grupo de disseminadores do stressionismo. ''Fizemos uma pesquisa sobre o assunto, que nasceu com a idéia do estresse e de como o artista contemporâneo consegue se expressar'', afirma Inácio.
O Stressionismo não prega o apocalipse, mas o fim dos tempos dos paradigmas.
Para os que estão entrando em contato agora com o estranho mundo stressionista, a manifestação já nasceu com algumas vertentes.
Alguns pertencem ao ''charlatanismo abstrato'' que, de acordo com o manifesto, representam os que se intitulam artistas e que somente produzem obras comerciais, utilizando da arte como produto, visando apenas lucro.
Tem também o ''stafonista concreto'' que é aquele artista que vivencia situações de estresse concentrado tipo assim...crítica infundada, falta de inspiração, imagens perdidas por causa de pau no computador.
Entre eles ainda há espaço para os que ficam ''P'' da vida com contas para pagar, propaganda política, carro de pamonha, ônibus lotado - afinal artista, geralmente, é um caro duro, que anda de buzão.
Quem é stressionista também tem atitude. Atitude stressionista, é óbvio.
''Queremos fazer arte pela arte. Abrimos mão do trabalho autoral para que seja apropriado pela cultura stressionista. É preciso ter desprendimento em relação à crítica e conceitos'', afirma Willian Alexandre dos Santos Silva.
Os stressionistas não chegaram ao ponto de querer queimar em praça pública algumas telas para chamar a atenção para as suas causas, mas garantem em seu manifesto que ''a única corrente que o stressionismo apóia é a do portão durante a noite''.
Dizem os iniciados, na manifestação, que a filosofia stressionista é a do bar, um ''reduto de discussões que permite ver dobrado e experienciar o efeito da arte mesmo sem ter visto obra alguma''.


