As marchinhas são os xodós dos saudosistas dos antigos carnavais. Se a maioria das cidades abandonou a tradição de tocá-las nos dias de folia, algumas ainda preservam os costumes de outras épocas resgatando clássicos de Lamartine Babo e de outros compositores em bailes e nas ruas.
No Rio de Janeiro, cantar marchinhas já virou prática enraizada de blocos durante o reinado de Momo. A série em quatro episódios "Marchinhas Inesquecíveis" estreia amanhã no Canal Bis (121 pela Net) revivendo os principais sucessos do gênero. O programa vai ao ar aos domingos, sempre às 19h, com várias reprises ao longo da semana.
O primeiro e o terceiro episódio trazem participação de Simone Leal e Carlos Mauro, enquanto que o segundo e o quarto episódios contam com a presença de Pedro Ivo e Roberta Nistra. Eles interpretam marchinhas que grudaram no imaginário popular como "Abre Alas" ("Ó abre alas que eu quero passar / Ó abre alas que eu quero passar / Eu sou da lira não posso negar / Eu sou da lira não posso negar"); "Me dá um dinheiro aí" (Ei, você aí / Me dá um dinheiro aí / Me dá um dinheiro aí"); "Mamãe eu quero" ("Mamãe eu quero / Mamãe eu quero / Mamãe eu quero mamar / Dá a chupeta / Dá a chupeta / Dá a chupeta / Dá a chupeta pro bebê não chorar"); "Cabeleira do Zezé" ("Olha a cabeleira do Zezé / Será que ele é / Será que ele é"); e "Cidade Maravilhosa" ("Cidade maravilhosa / Cheia de encantos mil! / Cidade maravilhosa / Coração do meu Brasil!").
Também serão lembradas, entre outras, "Aurora", "As Pastorinhas", "Marcha do Cordão do Bola Preta", "Colombina yê yê yê", "Balancê", "Allah-La-Ô" e "Sassaricando". O apogeu da marchinhas ocorreu entre as décadas de 1920 e 1960. "Ó abre alas", de Chiquinha Gonzaga, é considerada a primeira composição do estilo. Foi escrita em 1899 para o cordão Rosa de Ouro, inaugurando uma dinastia de autores como Sinhô, Eduardo Souto, João de Barro, Alberto Ribeiro, Haroldo Lobo, Braguinha, Noel Rosa, Joubert de Carvalho, Nássara e o grande Lamartine Babo, o Lalá.
No livro "Almanaque do Samba", publicado pela editora Jorge Zahar em 2006, o autor André Diniz descreve o gênero: "Feitas com o compasso binário da marcha militar, andamento acelerado, melodias simples e comunicativas, com letras cheias de picardia, as marchinhas guardam estreita relação com um espírito tipicamente carioca. São filhas diretas do jeito extrovertido e jocoso com que os compositores populares do final do século XIX compunham suas polcas".
Em meados da década de 60, a marchinha começou a ser substituída pelo samba-enredo como ritmo dominante da folia, em razão de que as escolas de samba não queriam pagar os altos preços cobrados pelos compositores musicais. A tradição, no entanto, resiste até hoje – particularmente no Rio de Janeiro, onde centenas de blocos carnavalescos não apenas revivem as antigas como lançam todo ano novas marchinhas no Carnaval.

Serviço:
Série "Marchinhas Inesquecíveis" - Estreia amanhã às 19h no Canal Bis

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