No ritmo da superação
O preconceito foi transformado em oportunidade por Darlene Kopinski. Vítima de discriminação por ser negra e ter sido criada em orfanato, ao invés de fugir de suas origens ela optou por investir na sua essência. "No orfanato em que fui criada, em Cambé, havia muitos livros e cursos. Me apaixonei pelas aulas de dança e comecei a pesquisar sobre o tema", conta.
Já adulta e casada, em 2003 ela criou o grupo de dança Cia Cristal, formado por 26 adolescentes. "Optei por investir na dança afro-brasileira para que as meninas, a maioria afro-descendente, sentissem orgulho de sua cor e valorizassem a cultura de seus antepassados", argumenta Darlene.
Desde que foi criado, o grupo londrinense já se apresentou em palcos do Rio de Janeiro, Fortaleza, São Paulo e até na França. "Apesar de ter conseguido um certo respeito no meio cultural, muitas pessoas que moram perto de onde ensaiamos, na antiga sede do posto de saúde do conjunto João Paz, nos olha com preconceito e acha que a nossa dança é coisa de terreiro de candomblé. Mas a gente não desiste, pois sabemos do nosso valor. Aliás, batizei o grupo como Cia Cristal porque o cristal nasce no lodo sujo, mas quando é limpo ele brilha. Acho que isso diz muito sobre a história da luta negra", ressalta Daiane.
Ela diz que recebeu com felicidade a notícia do edital do Ministério da Cultura destinando recursos para produtores culturais negros. "Acho que as oportunidades devem ser viabilizadas para todas as pessoas carentes, não apenas os negros. Mas penso que este já é um bom começo." (M.R.)





