No ritmo da Mulher Mangaba
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sexta-feira, 28 de junho de 2013
Alessandro Fiocco<br>Folhapress 
São Paulo - Uma das mulheres mais desejadas do país, Ellen Roche poderia aproveitar, ainda aos 33 anos, propostas para fazer campanhas como modelo ou para expor o corpo escultural. Mas ela decidiu que era hora de ir além.
Hoje, tem um papel fixo e de destaque na trama global das sete, "Sangue Bom", na qual interpreta a cômica Brunetty, funkeira que também atende pelo título de Mulher Mangaba. "Em agosto do ano passado, soube que estava reservada para a novela. Mas só no final do ano me disseram que era uma mulher-fruta", diz.
Distante do universo do funk, Ellen teve dois meses para se preparar e encontrar o tom da personagem. "Por mais que ela seja gostosona, é muito diferente de mim. Mas não tenho como fugir do meu estereótipo", diz, em relação às curvas generosas distribuídas em 1,76 m de altura.
Para dar vida a Brunetty, o funk teve de passar a fazer parte de seu repertório. "Ouço antes de gravar e dá uma elevada no humor. Inconscientemente, passei a usar salto 15. Até então, só usava modelos baixos."
Em cena, a loira se une à dupla Marisa Orth e Giulia Gam. "A Marisa criou uma Damáris estupenda. E a Giulia, quando vejo o texto, imagino o que ela vai aprontar e me surpreendo. Ambas construíram magistralmente suas personagens", elogia a loira.
A atriz revela que, após gravar suas cenas, o que acontece normalmente três vezes na semana, fica espiando o trabalho dos colegas de elenco. "Sempre fujo para o estúdio ao lado para ver o que estão gravando."
Ela adianta que, em breve, Brunetty seguirá um outro rumo na trama, com mais aparições de seu cotidiano - hoje, normalmente, ela surge no palco, cantando e dançando - e envolvimento com outros personagens. "Ela será mais humanizada e ganhará uma carga dramática maior", garante.
Entre as novidades da personagem está mais um hit a ser gravado - ainda sem letra. O sucesso mais recente da Mulher Mangaba é "Hoje Eu Tô Descontraída". Além disso, ela participará do programa de Sueli Pedrosa (Tuna Dwek), que lançará um concurso a fim de encontrar um grande amor para a funkeira. "Vem muito babado, gritaria e confusão por aí", diverte-se a atriz.
Feliz da vida por estar trabalhando como atriz, Ellen curte a repercussão de Brunetty fora da televisão. "A música dela rola em baladas, e muita gente está cantando. Na rua, as pessoas me chamam de Mangaba. Acredita que até querem me contratar para fazer show?", fala, espantada. E vai rolar? "Sem chance", gargalha.
Ellen ainda quer produzir peças de teatro, talvez fazer um musical e, claro, firmar-se na TV. "Estou me realizando. Sempre acho que estou vivendo minha melhor fase."
Confinamento para pensar
"A 'Casa dos Artistas' funcionou como um recuo do mar para mim. Por estar confinada, tive muito tempo para pensar. Ali, questionei quem eu era e para onde queria ir." É assim que Ellen Roche define sua experiência no reality show do SBT, do qual participou em 2002, e que a fez decidir que queria investir na carreira de atriz.
Após o fim do programa, Ellen gravou "A Turma do Didi", programa de Renato Aragão na época. Na sequência, com o prêmio do reality show em mãos (R$ 100 mil), mais o cachê que havia ganhado para participar (R$ 120 mil), decidiu parar tudo e foi estudar. Fez cursos de artes cênicas em São Paulo e no Rio.
Como qualquer iniciante, Ellen galgou pequenas participações em novelas e séries. Em sua escalada, a bela revela que percebeu olhares não amistosos. "Quando via um olhar torto para mim, fazia questão de me apresentar e de quebrar o gelo. Tem, sim, preconceito com a mulher bonita, que foi modelo e quer atuar."
Em 2009, foi convidada para "A Fazenda" (Record), mas declinou. Em 2010, garantiu um lugar no elenco da série "S.O.S Emergência" (Globo). Ellen conta que teve o apoio do amigo Ney Latorraca. Na época, Marisa Orth e Bruno Garcia, além do diretor Mauro Mendonça Filho, renderam-se ao talento da loira. "Ganhei o respeito e o apoio dos colegas. Sou muito estudiosa."


