No Rio, a alguns metros do asfalto, estão caminhos escondidos nas matas, desconhecidos até por muitos cariocas. É preciso esforço e resistência, mas essas trilhas em plena cidade reservam recompensas.
Só o Parque Nacional da Tijuca, maior floresta urbana do mundo (39,5 mil quilômetros quadrados), abriga 92 trilhas. As mais procuradas são as que levam aos topos de montanhas, como Corcovado, Pedra do Conde, Pedra Bonita, Pedra da Gávea, Bico do Papagaio e Pico da Tijuca. No parque, há visitas guiadas gratuitas ligue para o Centro de Visitantes e informe-se sobre a programação.
O caminho até o Pico da Tijuca, ponto mais alto do parque com 1.022 metros, é feito em ziguezague. Acaba em uma escadaria escavada na pedra, no início do século 20, para a visita do Rei Alberto, da Bélgica fã de montanhismo, o monarca teria preferido o caminho pela mata. Esse trecho final exige mais do visitante. Vale a pena pela vista das zonas norte e sul (incluindo o Maracanã e a Baía da Guanabara) e de Niterói.
Mais pesados são os cem metros finais da subida ao Bico do Papagaio, segundo mais alto da parque, com 989 metros. Após o percurso, inclinado a cerca de 45 graus, o cume estreito proporciona visual de 360 graus.
O acesso para a Pedra Bonita começa perto da pista de vôo livre, até onde se pode ir de carro. Recomenda-se chegar antes da metade da manhã para driblar engarrafamentos. ''É a que mais recomendo em termos de esforço-beleza'', diz Martinos Van Beeck, de 64 anos. Há dez anos, o aposentado é guia do clube Centro Excursionista Brasileiro (CEB). Para não-sócios, a caminhada custa R$ 25.
A Pedra da Gávea, alcançada após uma das trilhas mais difíceis do parque, é aclamada por muitos pela melhor vista. Tem um trecho de 30 metros de escalada, chamado ''carrasqueira''. ''Como parece fácil, acontecem alguns acidentes ou as pessoas paralisam com a altura'', diz Luiz Camões, de 32 anos, guia há dez e criador da Arte Radical, que faz passeios a partir de R$ 30. No largo cume, a paisagem tira o pouco do fôlego restante.
Quem não curte altura pode fazer o circuito das grutas e entrar em algumas, como a dos Morcegos, a do Belmiro e a Luis Fernandes. Visite a Cascata Diamantina, uma das maiores do local, com cerca de 15 metros.
Com tanto atrativo, o parque reúne fãs, como o analista de sistemas Leonardo de Santana, de 23 anos, ''trilheiro'' desde os 17. ''Gosto em especial da parte do alto, onde as trilhas são bem demarcadas e têm seguranças.''
Banho é proibido nas cachoeiras da Floresta da Tijuca, mas a ducha gelada é garantida nas Cachoeiras dos Primatas e do Horto, na zona sul. O acesso para ambas pode ser feito a partir do bairro do Jardim Botânico, e os percursos duram até meia hora, sem muitos obstáculos.
Se as praias famosas estiverem cheias, conheça outras isoladas, na zona oeste. A trilha, longa e plana, começa no fim da ladeira da Praia de Barra de Guaratiba. Vá ao alto da pedra Cabeça da Tartaruga para apreciar o visual e siga até as praias do Perigoso, do Meio e Funda. ''Como o trajeto é feito com sol na cabeça, tem de começar bem cedo'', diz Luiz Cruz, dono da Trilhas do Rio, que faz passeios a partir de R$ 35.
As trilhas também são vias alternativas para pontos turísticos. Na Pista Cláudio Coutinho, na Urca, zona sul, começam os percursos para o Morro da Urca e o Pão de Açúcar. O primeiro é mais fácil e dura 45 minutos. O segundo exige acompanhamento de guia. Em duas horas, há dois trechos de escalada. Também se pode chegar ao Cristo Redentor, no Corcovado, a partir do Parque Lage, no Jardim Botânico. Não é para iniciantes: são três horas, com um desnível de 600 metros. Tanto no morro do Cristo quanto no do Pão de Açúcar, além do visual, a recompensa é poder voltar de bondinho ou de trem.

SERVIÇO
Arte Radical
Tel.: (21) 8257- 4974
Na internet: www.arteradical.com
Centro Excursionista Brasileiro
Tel.: (21) 2252-9844
www.ceb.org.br
Parque Nacional da Tijuca
Tel.: (21) 2492-2252
Trilhas do Rio
Tel.: (21) 2424-5455
www.trilhasdorio.com.br

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