Dois bons motivos para alugar um carro na Inglaterra e seguir rumo ao sudoeste: as ruínas do que teria sido a terra do rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda e o imenso jardim botânico com plantas de todas as partes do mundo
Até hoje ninguém sabe ao certo se o Rei Arthur realmente existiu, mas as ruínas que seriam de seu castelo, com a lendária gruta do mago Merlin na praia, são pontos turísticos obrigatórios na cidade de Tintagel, na Cornualha, região sudoeste da Inglaterra. É lá também que está situado o Eden Projet, um futurista jardim botânico com plantas de todas as partes do mundo, e as enigmáticas pedras posicionadas em círculo em Stonehenge.
A melhor forma de se conhecer esta região é de carro. Prefira alugar um automóvel com câmbio automático, não é nada fácil trafegar pela mão esquerda, ainda mais em um carro inglês com câmbio na esquerda. Por semana, as tarifas iniciam em 100 libras (cerca de R$ 350). É necessário pagar antecipadamente a tarifa mais o seguro, que deve ser preenchido com os nomes dos motoristas.
Partindo de Londres, pegando a estrada A303, Stonehenge é o ponto mais perto. A área fica aberta ao público diariamente, das 9 horas às 19 horas, no verão, e das 9h30 às 16 horas no inverno. Mas atenção, não é permitido andar no meio das enigmáticas pedras com mais de 4 mil anos sem acertar o tour com pelo menos um dia de antecedência. A reserva deve ser feita pelo telefone (01980 624 715) e custa o dobro do valor do ingresso. Só que o passeio acontece uma hora antes da abertura ou uma hora depois do fechamento para o público. Quem chega depois das 19 horas terá de se contentar em ver as pedras do lado de fora da cerca. Ingressos custam 4 libras (R$ 14) adulto e 2 libras (R$ 7) criança.
Nos solstícios, os ‘‘druidas’’ (tipo de padre da religião celta) modernos costumam se dirigir para lá para realizar celebrações pagãs. Nesses dias, o Sol passa pela sua maior declinação boreal ou austral, ocorrem, respectivamente, nos dias 22 ou 23 de junho para a maior declinação boreal, e nos dias 22 ou 23 de dezembro para a maior declinação austral do Sol, e aparece justamente no centro da roda de pedras. Por isso, até hoje este local é considerado sagrado.
Testes de radiocarbono indicam que esta enigmática construção, com grandes blocos de pedras, foi erguida 2.950 a.C, sendo finalizada em 1.550 a.C.. Segundo os historiadores, os druidas teriam chegado a região somente em 250 a.C.. Arqueólogos começaram a estudar a localidade em 1901, depois durante toda a década de 20, e de 1950 até 1964. Mas não descobriram quem a teria erguido, muito menos com que finalidade.
Há dois tipos de pedras na formação: bluestones, (pedras azuis, em inglês) originárias de Preseli Mountains e de Milford Haven (oeste do País de Gales); e sarsens, vindas de Marlborought Downs (a 32 quilômetros de lá). As bluestones teriam sidos transportadas em pequenos barcos pelo Rio Frome. Já as sarsens teriam sido carregadas por homens. Mistérios à parte, o local tem algo de magnético, parece que há alguém te chamando para dentro do círculo, te puxando para ele. É, no mínimo, intrigante.
De lá, nosso roteiro segue pela estrada A303 até a cidade de Exeter, onde começa a estrada A30, que deve ser percorrida até a cidade de Launceston, onde começa a pequena estrada A395 que faz a ligação para a A39, que deve ser percorrida até a cidade de Camelford, onde começam as placas para mística Tintagel, situada na costa norte da Cornualha. A cidade é bem turística, com várias lojas de souvenir, com CDs do canto das baleias, réplicas da espada do rei Arthur, centenas de livros celtas, toda a saga das ‘‘Brumas de Avalon’’, camisetas com motivos celtas, bonecos em forma de dragões, miniestátuas de gnomos, fadas, duendes, no melhor estilo São Thomé das Letras (cidade no Sul de Minas Gerais).
O rei Arthur, Morgana, Merlin, os cavaleiros da Távola Redonda e a princesa Genoveva (ou Guinevere) teriam vivido ou no século 5 ou 6, ninguém sabe ao certo. Segundo a lenda, Arthur era filho de Uther Pendragon, e teria nascido e crescido na região de Tintagel. Depois teria construído seu castelo em Tintagel, em cima do penhasco perto da praia, onde teria morado com sua esposa e os cavaleiros da Távola Redonda. O Merlin teria morado na caverna, situada no penhasco (rock off Mousehole), na beira da praia. Alguns acreditam que Camelot seria Cadbury Castle, próximo a cidade de Yeovil, também na Cornualha. As histórias de suas batalhas contra os saxões e sua conversão ao cristianismo foram temas de inúmeros livros, poemas e músicas, e são até hoje.
As ruínas comprovadamente datam do século 6, e observar o mar de cima do penhasco, por entre as janelas em ruínas, é uma experiência singular. O mar é de um azul turquesa intenso de água transparente e gelada, mesmo no verão. Prepare-se para subir centenas de degraus por entre portais e ruínas do que um dia foi um castelo ou um monastério celta, há também muros do século 13 e até mais recentes. Há ruínas de uma capela, erguida em 1145. Caminhando pelo penhasco, o turista vai encontrar um túnel pequeno. Não deixe de percorrê-lo.
Se a maré estiver baixa, caminhe em direção à praia, rumo a Gruta do Merlin. Como a escada caiu, há uma placa dizendo que quem seguir o caminho é por sua própria conta e risco. As pedras são um pouco escorregadias, mas com cuidado e atenção o risco de quedas é menor. A gruta é grande e abriga gaivotas.
É possível visitar as ruínas diariamente, no verão das 10 horas às 20 horas, e no inverno das 10 horas às 16 horas. Ingressos a 3 libras (R$ 10,50) com descontos para crianças e estudantes. Em Tintagel não deixe de provar o pastel típico da região (cornish pastie), com batatas, carne, pimenta-do-reino e cebolas, muito saboroso. Há também versões vegetarianas.

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