No reino das batidas quebradas
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sexta-feira, 20 de outubro de 2000
Nelson Sato De Londrina 
O drumnbass, dizem, já teve seu ápice. Mas quem explica a conversão de novos adeptos e o culto na Europa em torno do DJ paulistano Marky, principal expoente brasileiro da tendência?
Marky está lançando Audio Architecture, seu segundo álbum de DJ, ou seja, um disco-coletânea de suas sessões de discotecagem. O CD chega às lojas simultanemanete a Aí Maluco, trabalho de estréia do duo Drumagick. Ligando os dois, está a celebração das batidas aceleradas e quebradas do drumnbass, o contrato com a mesma gravadora (Trama) e a faixa que dá nome ao disco dos irmãos Júnior Deep (23 anos) e Guilherme Lopes (19).
Aí Maluco aparece aqui na versão de Marky e é a única faixa de artista brasileiro presente no repertório do próprio. Audio Architecture vem na sequência de In the Mix, que o DJ lançou há pouco mais de 1 ano na mesma fórmula. A seleção das músicas obedece a um crescendo climático, do melodioso ao sombrio frenético com muitos sintetizadores e baixos pesados.
Hide U (decoder & substance mix), do projeto Kosheen, é a faixa de abertura. Já virou hit nas melhores pistas do país destacando os vocais da cantora Sian Evans sobrepostos à produção de Darren Beale e Substance. Também com vocais e acento jazzy, Brand Nu Day (do 60 Minutes) se sobressai ao lado da devastadora Champion Sound (de Q Project), um clássico que Marky tocava em 92 no Toco, clube da zona leste paulistana.
Com a agenda lotada, o DJ viaja na próxima quarta-feira para uma nova turnê internacional cujo roteiro inclui paradas na República tcheca e na festa Movement, em Londres. No Brasil, ele é residente nas casas noturnas paulistanas Lov.e Club & Lounge e Kintamani. Paralelamente às discotecagens, Marky tem se dedicado às atividades de produtor.
Nesta temporada, ele remixou músicas para vários artistas, entre eles Otto, Pato Fu, Jota Quest e do compositor-revelação Max de Castro. Este último, aliás, faz participação especial em duas faixas no CD do Drumagick impondo uma assinatura acústica ao trabalho. Ele toca piano em A Maré, além de cantar e tocar violão e guitarra em Funquiada.
Diferente de Marky, o duo debuta no mercado fonográfico com material inédito e muita influência de jazz e bossa nova. Apesar de algumas batidas soarem raquíticas perto dos beats explosivos mixados no disco do DJ, as ambiências etéreas e o instrumental orgânico garantem qualidade excepcional a Aí Maluco.
Quando é que Marky, a exemplo dos meninos, vai encarar suas próprias composições? Esse é que vai ser seu grande desafio, que poderá manchar ou elevar sua reputação de vez na cena eletrônica mundial.


