O drum’n’bass, dizem, já teve seu ápice. Mas quem explica a conversão de novos adeptos e o culto na Europa em torno do DJ paulistano Marky, principal expoente brasileiro da tendência?
Marky está lançando ‘‘Audio Architecture’’, seu segundo álbum de DJ, ou seja, um disco-coletânea de suas sessões de discotecagem. O CD chega às lojas simultanemanete a ‘‘Aí Maluco’’, trabalho de estréia do duo Drumagick. Ligando os dois, está a celebração das batidas aceleradas e quebradas do drum’n’bass, o contrato com a mesma gravadora (Trama) e a faixa que dá nome ao disco dos irmãos Júnior Deep (23 anos) e Guilherme Lopes (19).
‘‘Aí Maluco’’ aparece aqui na versão de Marky e é a única faixa de artista brasileiro presente no repertório do próprio. ‘‘Audio Architecture’’ vem na sequência de ‘‘In the Mix’’, que o DJ lançou há pouco mais de 1 ano na mesma fórmula. A seleção das músicas obedece a um crescendo climático, do melodioso ao sombrio frenético com muitos sintetizadores e baixos pesados.
‘‘Hide U (decoder & substance mix)’’, do projeto Kosheen, é a faixa de abertura. Já virou hit nas melhores pistas do país destacando os vocais da cantora Sian Evans sobrepostos à produção de Darren Beale e Substance. Também com vocais e acento jazzy, ‘‘Brand Nu Day’’ (do 60 Minutes) se sobressai ao lado da devastadora ‘‘Champion Sound’’ (de Q Project), um clássico que Marky tocava em 92 no Toco, clube da zona leste paulistana.
Com a agenda lotada, o DJ viaja na próxima quarta-feira para uma nova turnê internacional cujo roteiro inclui paradas na República tcheca e na festa Movement, em Londres. No Brasil, ele é residente nas casas noturnas paulistanas Lov.e Club & Lounge e Kintamani. Paralelamente às discotecagens, Marky tem se dedicado às atividades de produtor.
Nesta temporada, ele remixou músicas para vários artistas, entre eles Otto, Pato Fu, Jota Quest e do compositor-revelação Max de Castro. Este último, aliás, faz participação especial em duas faixas no CD do Drumagick impondo uma assinatura acústica ao trabalho. Ele toca piano em ‘‘A Mar钒, além de cantar e tocar violão e guitarra em ‘‘Funquiada’’.
Diferente de Marky, o duo debuta no mercado fonográfico com material inédito e muita influência de jazz e bossa nova. Apesar de algumas batidas soarem raquíticas perto dos beats explosivos mixados no disco do DJ, as ambiências etéreas e o instrumental orgânico garantem qualidade excepcional a ‘‘Aí Maluco’’.
Quando é que Marky, a exemplo dos meninos, vai encarar suas próprias composições? Esse é que vai ser seu grande desafio, que poderá manchar ou elevar sua reputação de vez na cena eletrônica mundial.