A cozinha brasileira, apesar de sua infinita variedade de ingredientes, texturas, paladares e aromas regionais, não tem projeção internacional. Ninguém, no entanto, nem mesmo os mais consagrados chefs estrangeiros, pode se queixar da criatividade dos cozinheiros brasileiros. A cultura nacional é a do experimentalismo e da criatividade para transformar o que já existe. Foi assim que surgiu, há 14 anos, a batata suíça, que de suíça só tem o nome e a inspiração.
Divulgação/Gilson CamargoFachada da lanchonete e delivery Beto Batata: sucesso em CuritibaO chef e consultor Robert Amorim foi o ‘‘inventor’’ deste prato em 1984, quando era proprietário do Leão da Baviera, na cidade de São Pedro da Aldeia, na região dos Lagos, no Rio de Janeiro. Era um restaurante de comida alemã e ali se servia a batata suíça tradicional, a rostie, ou roestkartoffel como guarnição de alguns pratos europeus, como o fondue ou o ‘‘Filé a Café Paris’’.
Foi descansando em uma rede, tendo à frente uma paisagem paradisíaca que Amorim teve a idéia. A batata, como a massa de pizza, aceita vários tipos de recheio. Não havia por que ter apenas o tradicional recheio de bacon e cebola. Saiu da rede para a cozinha e quando estava ali, pondo em prática a idéia, imaginou se aquela batatinha ainda iria garantir o seu futuro e o de seus filhos.
Quase 15 anos depois, ele acaba de inaugurar em Curitiba a Beto Batata, uma lanchonete que também atende no sistema delivery. Isso depois de introduzir a batata suíça recheada em cerca de cinco restaurantes da cidade. Sinal de que a profecia está se cumprindo.
Divulgação/Gilson CamargoMichael Wahrahastig Filho, criador do John Mignon e o sócio Robert Amorim, o Beto Batata: criatividade a toda provaAntes de chegar a Curitiba, a batata suíça fez um ‘‘estágio’’ no Rio de Janeiro. Neste país cheio de pacotes econômicos, não há restaurante que resista e Robert foi obrigado a vender o ‘‘Leão da Baviera’’.
Transferiu-se depois do pacote do Sarney para o Rio de Janeiro, onde abriu uma delicatessen no Shopping da Gávea. Vendia comidas e bebidas importadas, mas decidiu também vender o prato com o tubérculo comestível. Instalou quatro mesinhas e poucas cadeiras que começaram a ser frequentadas por nomes conhecidos como Jô Soares e Flavinha, Edgar Bacha, José Wilker, Jorge Dória, entre outros.
Em 1979 recebeu um convite do ex-secretário de Cultura do Paraná, Fernando Ghignone, para dar uma assessoria na implantação do Café Giuseppe, em Curitiba. Ele aceitou, em 1990 a cidade receberia sua primeira batata suíça com recheio. O prato fez tanto sucesso que logo se tornou o destaque do cardápio.
Dali para a frente, Amorim foi requisitado como assessor e consultor de vários restaurantes da cidade e a batata foi sendo introduzida na maioria deles. Estão na lista, além do Café Giuseppe e do Beto Batata, o Helvétia, o Bar 21, o já falecido Jordan’s e o mais recente deles, o Original Café.
‘‘Eu mostrava a todos como fazia e depois ia embora, mas agora tenho o meu próprio negócio que espero vá render muito’’, brinca Robert. Ele não pensa em abrir franquias da Beto Batata. Pretende dar cursos para restaurantes ou bares interessados no prato. ‘‘Eu gostaria mesmo é que o próprio dono aprendesse a fazer porque tem mais gosto quando é feito com carinho’’, afirma.

mockup