ESTRÉIA NO REINADO DE RICARDO 3º DivulgaçãoCena de Ricado 3º: espetáculo que conta com transparências e muito jogo de luz tem cenário de André Cortez e Daniela Thomas Elisa Marilia Carneiro De Curitiba O mais sedutor e, ao mesmo tempo, mais execrável personagem de Shakespeare está no espetáculo dirigido por Yara de Novaes que estréia hoje no Festival de Curitiba Toda a treatralidade do maior gênio do teatro moderno, William Shakespeare, estará representada hoje, às 21h30, na peça ‘‘Ricardo 3º’’, no Teatro Guaíra, na mostra oficial do 9º Festival de Teatro de Curitiba. ‘‘Retórico, porém imensamente sedutor’’, segundo a diretora mineira Yara de Novaes. A peça estreou em Belo Horizonte, em junho de 1999. Antes de aparecer, completo, Ricardo havia passado um bom tempo sendo germinado na mente de Shakespeare, segundo e escritor Victor Kiernan, estudioso da obra do dramaturgo inglês. Da mesma forma, Yara passou anos estudando Ricardo 3º, desde estudante da Escola de Teatro da Universidade Federal de Minas Gerais. ‘‘Shakespeare criou, com Ricardo 3º, uma grande homenagem ao ator. Ao mesmo tempo, que é um vilão execrável, é o mais sedutor dos personagens de Shakespeare’’, reconhece Yara. Assim, ela justifica a escolha pelo texto. ‘‘Numa única peça, Shakespeare contempla o mundo inteiro, com todas as vicissitudes dos homem, os conflitos humanos. Independente das citações históricas, é um texto de Shakespeare. Tão poderoso que poderia ser entendido sem significado para o significante, tanto que os textos desse gênio podem ser entendidos mesmo que os atores falem sueco, como aconteceu com ‘Noite de Reis’, em São Paulo’’. Ricardo III é um personagem biográfico criado por Thomas More sob encomenda de Henrique IV para agradar à rainha. Shakespeare propõe com Ricardo 3º (escrito em 1591 e 1592), mapear os motivos mais íntimos de tal personagem e liga convincentemente a obsessão pelo poder à deformidade que isola Ricardo de seus semelhantes, em especial das mulheres e do amor. Para montar a peça, Yara optou por condensar o texto. Dos 54 personagens originais, utiliza apenas 19. ‘‘Usamos ainda parte de outros textos de Shakespeare. Não temos a pretensão de representar o texto original, até por isso, o nosso Ricardo é 3º e não III. Tudo com muito critério e com a ajuda da expert em Shakespeare, Aimara da Cunha Resende’’. O mundo tangível do dramaturgo com seus versos dodecafônicos é contado na história de Ricardo 3º, última peça da tetralogia que conta a história da Guerra das Rosas, como foi convencionalmente chamada a luta dinástica entre os York (rosa branca) e os Lancaster (rosa vermelha), ocorrida na Inglaterra entre 1455 e 1485. Filho mais moço do Duque de York, que tantos anos lutara para conquistar a coroa, Ricardo inicia a peça explicando ao público suas inescrupulosas intenções diante do trono da Inglaterra, uma vez que seus irmão e rei Eduardo IV está prestes a morrer. Entretanto, para ser bem-sucedido em seu intento, terá que eliminar seu irmão Clarence, assim como seus sobrinhos, filhos de Eduardo, que o antecedem na linha sucessória. Ricardo não poupa aqueles que obstruem seu caminho e faz jorrar sangue na casa real inglesa. ‘‘Fazemos um paralelo com a vida do ator, que se mascara para realizar seus objetivos, claro que, nem sempre com a mesma sordidez. E efemeridade do teatro e da própria vida se realizam através do vilão’’, afirma a diretora. ‘‘Inspirado no diabo medieval, ‘o vício dissimulado’, é um pouco do ator.’’ Segundo Yara, Ricardo tem uma força suicída, como os atores. ‘‘Ele é o próprio ator, que para realizar qualquer coisa precisa sentir a falta de outras. Se for perfeito, é a morte. Shakespeare usou o aleijão para essa faceta’’. O cenário para Ricardo 3º é uma criação de André Cortez e de Daniela Thomas. ‘‘A cenografia para Shakespeare é muito complicada. O dinamismo entre o castelo, a rua, as muralhas, o calabouço e a batalha é muito rápido. A solução foi encontrada no próprio Shakespeare, que se utilizava da linguagem simbólica. Uma única espada para a guerra’’, conta André. Privilegiando o ator, o cenário é uma síntese. ‘‘Usamos transparências e muito jogo de luz. É um cenário majestoso mas que não amesquinha o ator, ao contrário, sublinha e dá suporte’’, afirma. Apenas o trono é exagerado para representar toda a ambição do personagem. FICHA TÉCNICA Odeon Companhia Teatral Direção: Yara de Novaes Direção de produção: Carlos Gradim Iluminação: Telma Fernandes Cenografia e figurinos: Daniela Thomas e André Cortez Elenco: Jorge Emil, Ana Prado, Antônio Mello, Cristina Vilaça, Ernani Maletta, Gabriel Paiva, Gustavo Werneck, Marcelo Campos e Jefferson da Fonseca. Leia mais sobre o festival de Teatro na página3.