NO RASTRO DA FÚRIA PUNK
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de agosto de 2000
Nelson Sato De Londrina 
Um rastro de escândalos, tragédias e subversões musicais foi deixado para trás depois daqueles anos loucos. Foi para perseguí-lo que o diretor Julien Temple rodou o documentário The Filth And The Fury, já exibido em diversos festivais pelo mundo e que vem ao Brasil em outubro para a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
O filme narra odisséia dos Sex Pistols, levando às telas toda a aventura musical e comportamental da primeira geração punk inglesa. A trilha sonora chegou antes e já está nas lojas lançada pela Virgin. O disco, um CD duplo, é uma tentativa de capturar em laser o que se ouvia na época e a particularidade do que os próprios Pistols ouviam.
O painel abrange desde os clássicos da banda ( God Save The Queen, Pretty Vacant, Holidays In the Sun e Anarchy in the UK) a covers raras garimpadas no baú do grupo, além de canções de outros artistas, alguns famosos e outros obscuros. Entre as versões despontam No Fun de Iggy Pop & The Stooges e Substitute do The Who, que os Pistols repassam com sua habitual selvageria.
As presenças ilustres também se destacam, caso do próprio The Who (com Pictures of Lily), David Bowie (The Jean Genie), The New York Dolls (Looking For A Kiss), Roxy Music (Virginia Plain) e Alice Cooper (Schools Out e Im Eighteen). A trilha inclui ainda Bay City Rollers, Simaryp, Sailor, The Creation e Tappa Zukie.
O disco reconstitui uma época efervescente, quando a molecada dos bairros pobres andava nervosa pelas ruas de Londres. Johnny Lydon, rebatizado posteriormente para Johnny Rotten (podre), era um deles. Tinha sido expulso de casa e costumava circular com cabelos espetados pintados de verde, vestindo uma camiseta com a inscrição eu odeio o Pink Floyd furada por presilhas.
Ao ver o figurino do rapaz, o dono de uma loja de roupas e artigos sadomasoquistas decidiu recrutá-lo para ser o vocalista da banda que formava com Steve Jones (guitarra), Paul Cook (bateria) e Glen Matlock (baixo, depois substituído por Sid Vicious, que morreria de overdose de heroína em 1979). O dono da loja chamava-se Malcolm McLaren.
Começava aí a saga meteórica dos Sex Pistols. A banda duraria dois anos, período suficiente para gravar o antológico álbum Never Minds the Bollocks, Heres The Sex Pistols, trocar cusparadas com o público, vomitar em aeroportos, disparar palavrões ao vivo na TV e xingar a rainha.


