Eduardo Fonseca da Rocha
TV Press
Agora as coisas mudaram nos bastidores de ‘‘Terra Nostra’’. O diretor Jayme Monjardim já não quer mais tanta mídia para sua novela. E não só porque os mais de 50 pontos de audiência formem já uma poderosa divulgação. Ele justifica dizendo que há outras fases a estrear e não quer um desgaste prematuro do produto.
Mais que evitar uma superexposição, a postura ‘‘low profile’’ que o diretor pretende para os bastidores da novela tem outro bom motivo: a falta de substância da trama de Benedito Ruy Barbosa. Desta vez não são tuiuiús voando de um lado para o outro, mas cenas em preto-e-branco, antigas ou pós-modernas, que consomem vários minutos em cada capítulo, intercaladas por outras que simplesmente não têm nenhuma função efetivamente dramatúrgica.
Num capítulo de ‘‘Terra Nostra’’ que ocupe uma hora na programação da Globo, pelo menos 20 minutos são consumidos entre aberturas, vinhetas de intervalo, encerramento e comerciais – a novela está recheada deles.
Os 40 minutos que sobram deveriam ser dedicados ao desenvolvimento da trama. Mas não é bem assim. Pelo menos metade desse tempo é gasto em situações análogas às descritas acima. Sobram, então, 20 minutos em cada hora. Mas mesmo nesses 20 minutos, várias cenas são simples repetecos - os famosos ‘‘flash-backs’’. Outras tantas são cenas de repetição da mesma ação. É mais ou menos assim: um personagem diz uma coisa a outro que, por sua vez, vai contar a outro o que o primeiro disse. Nesse leva-e-traz, a dupla Jayme/Benedito cria a insólita situação em que a novela mais assistida do País quase não tenha nada para ser visto.

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