Curitiba - Ele provavelmente tinha déficit de atenção ou algum distúrbio de comportamento que os profissionais costumam enquadrar as crianças agitadas hoje em dia. Mas, naquela época, ele era apenas um menino maluquinho. Ou um menino feliz, como disse seu ''pai'', o cartunista e desenhista mineiro Ziraldo.
O personagem ganhou fama em 1980, quando foi lançado o livro ''O Menino Maluquinho''. Seis anos mais tarde, o garoto irrequieto ganhava os palcos e, na década seguinte à sua estréia na literatura, também ganhou versão para a cinema e televisão. Mas o que pouca gente sabe é que a primeira adaptação teatral do livro saiu de Curitiba.
Em 1986, os amigos Fátima Ortiz, Enéas Lour e Rosy Greca se reuniram decididos a adaptar a história do menino maluquinho para o teatro. Ligaram para Ziraldo, que autorizou a empreitada, e deram início à mais utilizada adaptação teatral do já clássico personagem no Brasil. ''Naquela época as coisas eram mais simples, a gente ligou para o Ziraldo e ele aceitou. Depois veio assistir ao espetáculo e gostou muito. Desde então sempre indica nosso texto'', conta a diretora Fátima Ortiz. É ela quem, novamente, assina a terceira montagem do texto feita em Curitiba, em cartaz no Teatro Regina Vogue.
Depois do espetáculo de 1986, foi realizada uma nova versão em 1993 e agora o espetáculo ganha nova montagem, também dirigida por Fátima. ''Acho que o que difere todas as montagens é o elenco, que dá uma cara nova para a apresentação'', define a diretora. O texto e as músicas são os mesmos, mas a concepção cenográfica e do figurino ganharam nova roupagem no espetáculo atual. O elenco também ganhou apoio. Diferente dos cinco personagens que encenaram as versões anteriores, o novo espetáculo conta com elenco de sete atores. ''E esse elenco sempre muda a concepção dos personagens. É uma peça nova a cada montagem'', salienta a diretora.
Nessa versão em especial, o diferencial está em um elenco jovem e com muita garra, conforme avalia a diretora. O protagonista, por exemplo, é interpretado pelo jovem ator (mas já com bastante experiência em teatro) Pedro Inoue. Além de Pedro, este elenco conta com a participação da bailarina Daphine Bozarski, de apenas 14 anos, mas que atua com maestria e rouba a atenção em diversas cenas.
O espetáculo, assim como o livro, conta a história de um menino alegre, travesso e muito cativante. O tipo de criança que todo mundo foi ou quis ser. Não existe, aliás, quem não se identifique com as travessuras de Maluquinho. Na montagem, o tempo está sempre ao seu lado, acompanhando suas mudanças e seu inevitável crescimento. O menino maluquinho cresceu, mas nem por isso deixou de fazer parte do imaginário de quem é apaixonado por literatura.
''O menino não envelhece porque é um personagem, uma invenção. E invenções não envelhecem nunca'', garante Ziraldo, que concedeu uma rápida entrevista, por telefone, ao Folha 2. O cartunista mineiro que mora no Rio de Janeiro não se cansa de elogiar a adaptação teatral curitibana. ''Existem umas 30 por aí, mas sem dúvida a da Rosy é uma das melhores'', disse, ressaltando as músicas compostas para a peça por Rosy Greca. ''Até hoje, toda vez que alguém me liga querendo adaptar a peça eu indico o texto de Curitiba'', confirma Ziraldo.
Além de Pedro Inoue e Daphine Bozarski, a versão atual tem no elenco Adriana Seiffert, Carlos Vilas Boas, Sol Faganello, Débora Vecchi e Diogo Zavadzki. A sonoplastia é de Helinho Santana e o cenário e figurino ganhou assinatura de Paulinho Maia.


Serviço:

- O Menino Maluquinho, em cartaz no Teatro Regina Vogue (Shopping Estação), em Curitiba

Quando - Deste fim de semana até o dia 13 de maio. Sempre aos sábados, domingos e feriados, às 16 horas

Quanto - R$ 20,00 (ingresso)

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