No palco e nos bastidores
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de janeiro de 2002
Zeca Corrêa Leite 
O oboísta Alex Klein, novo diretor artístico da Oficina de Música de Curitiba, participa amanhã de concerto que abre oficialmente a vigésima edição do evento
Curitiba Em tempos de recesso de verão, o Teatro Guaíra abre amanhã suas portas para um concerto da Camerata Antiqua de Curitiba, às 20h30, que terá solo do oboísta Alex Klein, um dos mais respeitados nomes do instrumento em todo o mundo. O espetáculo inaugura oficialmente a 20ª Oficina de Música de Curitiba. Sob a regência de Nicolau de Figueiredo serão apresentadas três peças de Bach: Missa Brevis em Sol menor, Concerto para Cravo em Ré menor e o Concerto para Oboé damore em Lá menor, que traz Klein ao palco.
O músico mostrará sua arte somente amanhã à noite. Respondendo como diretor artístico do evento ele estará envolvido com os bastidores pelo resto da temporada. Assumindo o posto pela primeira vez, o oboísta de 36 anos de idade, que desde meados dos anos 80 vive nos Estados Unidos, desenhou a Oficina com traços muito particulares. A partir desta edição ela será um encontro de professores e alunos de alto nível.
Alex Klein quer, à sua maneira, reeditar os famosos Festivais Internacionais de Música de Curitiba, que movimentou a cidade nos anos 70 e cujos frutos estão aí para contar a história. A cada decisão que tomo aqui penso o que Roberto Schnorremberg (diretor dos antigos festivais) faria no meu lugar, comenta. O evento tem agora o nome de Schnorremberg nos bastidores.
A reverência à memória do maestro revela o grau de reconhecimento que o músico nutre pelo evento: Sou um filho dos Festivais Internacionais de Música de Curitiba. Ele diz isso porque foi assistindo a um concerto de oboé, aos 9 anos de idade, que sua vida mudou. Foi um encanto fulminante pelo instrumento que dura até hoje.
Quero que a Oficina de Música de Curitiba seja reconhecida no mundo inteiro como um grande evento musical, de grande eficiência e que atinja especialmente o nosso povo, afirma. Para conseguir seu intento Alex Klein vai usar o prestígio conquistado em quase 20 anos de carreira internacional. Se puder usar qualquer prestígio, será para servir a Oficina. Estou aqui como servente, diz com modéstia.
Entre os professores que darão cursos estão o violoncelista brasileiro Antonio Meneses, o flautista francês Michael Debost, o violinista israelense Chaim Taub e o violista norte-americano Don McInnes. São nomes estelares da música internacional que se juntarão a um time brasileiro também de primeira categoria. Isso aqui vai ser ouro para as carreiras dos alunos que quiserem aproveitar a oportunidade. Quero proporcionar isto a eles, afirma o diretor.
Vontade é que não falta ao músico em aproximar jovens talentos aos mestres que poderão abrir-lhes as portas lá fora. Alex Klein fala claramente sobre essa intenção:
Quero que os professores olhem e percebam o valor que tem aqui. O que nós não temos é conhecimento, mas os alunos estão aí para aprender. Quero que esses professores vejam que aqui tem o material que eles precisam para trabalhar. Escolhi especificamente professores que têm essa abertura, já que muitos intérpretes que não vêm ao Brasil, querem ficar só naquele corredor da Europa, Estados Unidos e Japão. Esses eu não quero saber. Escolhi trazer para cá gente que tem o coração aberto, que vai abrir caminhos para esses alunos.
Por essa disposição em aproximar valores, o novo diretor da Oficina de Música se autodenomina santo casamenteiro e estende a condição a toda equipe técnica. O que estamos fazendo aqui é juntar as pessoas para que tenham o futuro que tive e outros tiveram.
É claro que para um nível de ensino como este não dá para imaginar a presença de iniciantes nos cursos. Estes poderão frequentar as aulas de formação de platéia, assistir às master classes e aos concertos. Não temos professores que vão ensinar a dar a primeira aula de violoncelo para alguém, explica o diretor.
Alex Klein tem uma visão muito própria sobre o tempo em que poderá ficar à frente do evento. Pretendo atuar como diretor artístico da área de música erudita enquanto for necessária minha permanência aqui. Em geral dura poucos anos, cinco a dez no máximo, depois é necessário passar a batuta para outra pessoa. Isso faz bem à própria saúde do festival. Ficarei aqui o tempo necessário em que for bem-vindo.


