No mundo dos contos de fada
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de outubro de 1998
Érika Pelegrino 
A importância dos contos de fadas no desenvolvimento emocional das crianças vem sendo tratada por diversos psicanalistas. Muitos tratam seus pequenos pacientes através das histórias infantis. Profissionais da área de educação também estão despertando para a importância de resgatar estas obras literárias. Pois acreditam que são uma eficiente forma de incentivar a leitura.
O Sesc/Londrina vem desenvolvendo um trabalho neste sentido há dois anos, através do projeto Vivendo um Conto de Fadas. As crianças vivenciam histórias de fadas, bruxas, lobos, princesas. Na primeira edição do projeto, realizada no ano passado, A Bela Adormecida, Os Três Porquinhos, Chapéuzinho Vermelho, e Cinderela foram transportados das páginas dos livros e contaram suas aventuras para o público infantil.
Este ano o tema é o conto João e Maria. De hoje a sexta-feira, as crianças que forem ao Sesc/Londrina vão entrar no reino da fantasia. Para isto será construído um cenário com a floresta e a casa feita de doces da bruxa. Os dois irmãos estarão esperando as crianças, para juntos reviver a história dos personagens que se perdem - ou segundo a história original, são abandonados pelos pais - e vão parar na casa de uma bruxa que quer cozinhar João para o jantar.
Durante a aventura as crianças irão participar de atividades como jogos literários, origami, teatro de fantoches, entre outras. A própria bruxa será criada pelos pequenos com papel e tinta.
Dentro da programação também está prevista a exposição de um livro feito em madeira pela escritora Noêmia Leles de Freitas, de Arapongas. Ela entalhou a história de sua autoria A Árvore que Não Queria Morrer em placas de cerejeira com 70x50 centímetros, totalizando 24 páginas.
O objetivo é incentivar as crianças à leitura através da vivência do conto infantil. Mas por que levar os pequenos a entrar em contato com personagens que há muito povoam o imaginário infantil? Além de ajudá-los a desenvolver o hábito de ler, as bruxas, princesas e lobos podem ajudá-los a encontrar soluções para sentimentos como: medo da morte, separação, perda, angústia e mesmo o prazer.
A psicóloga infantil Fátima Comte explica que a importância dos contos infantis está relacionada ao fato de descreverem situações do dia-a-dia através da metáfora, representando conflitos e confusões que ocorrem no cotidiano. Os personagens muitas vezes vivem as mesmas situações que a criança. Através deles, ela consegue se distanciar e olhar de fora as relações que, embora não aconteçam com a mesma intensidade, geralmente, fazem parte de sua vida. As histórias ajudam a avaliar padrões de comportamento, afirma Fátima Comte.
Mas a psicóloga faz um alerta. Para que a criança consiga transportar a experiência do personagem para a sua vida, sem equívocos, é importante que um adulto faça uma leitura crítica junto com ela. Algumas crianças ficam perdidas diante de um conto de fadas, afirma. É preciso que um adulto esteja lendo e discutindo a história, o personagem, para ajudar na formação de conceitos, percepções de mundo, e evitar que sejam criados conceitos distorcidos.
Quando um conto de fadas não é compreendido, ele é carregado vida afora pela pessoa. Fátima Comte cita o exemplo do complexo de Cinderela: é uma leitura distorcida que as mulheres fazem da Cinderela. Os contos de fadas não são mágicos, eles por si só não fazem milagres, conclui Fátima Comte.
Vivendo um Conto de Fadas - Sesc/Londrina, de hoje a sexta-feira. Entrada franca.


