No mundo de Guimarães Rosa
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de junho de 1999
Francelino França 
O trecho raso de um rio onde se pode transitar a pé ou a cavalo é chamado de vau. O tradicional grupo Teatro Piollin agregou esse nome ao conto de Guimarães Rosa, transformando-o na peça Vau de Sarapalha. A adaptação e direção do espetáculo foi realizada pelo paraibano Luiz Carlos Vasconcelos, que preservou o universo sertanejo de Rosa em toda sua força.
Nesta releitura, Negra Ceição é valorizada, revelando-se sabedora de conhecimentos ancestrais e forças ocultas. Os primos Argemiro e Ribeiro estão de vigília, enquanto a morte não chega para os dois, Ceição tem seus pressentimentos. Esse poder da empregada é evocado com a leitura dos gravetos da fogueira.
Com seus presságios, ela faz explodir a fúria de Ribeiro, ao descobrir a paixão do primo pela esposa fugitiva. Nesta adaptação do Teatro Piollin, o fogo e a água são elementos de contraponto visual à utilização da palavra. É a força da natureza tão reverenciada por Guimarães Rosa. Os ruídos da natureza, dos animais e o característico linguajar sertanejo dão suporte à encenação. Atenção especial ao minucioso trabalho corporal dos atores, que proporcionam às cenas uma superior sensibilidade.
Uma curiosidade. Parte do elenco trabalhou no antológico Central do Brasil, filme de Walter Salles. A atriz Soia Lira interpretava Ana, mãe do garoto Josoé (Vinícius de Oliveira).


