fotos: Jonas Oliveira

Paulinho de Jesus é um expert em bonecos e garante que no Brasil a arte está ficando mais refinada, graças às exigências do público e dos artistas


Fazer bonecos é arte e ofício...


aos quais Paulinho de Jesus dedica-se...


em busca constante da perfeição


No palco, os bonecos são estrelas...


manipuladas pelas mãos sensíveis do...


marionetista preocupado com detalhes



O ator e marionetista Paulinho de Jesus nem sempre se satisfaz com os cursos voltados ao teatro de bonecos. É comum, nessas aulas, apenas a preocupação com o aspecto artesanal da arte, sem haver aprofundamento sobre a caracterização das personagens. Essa lacuna ele pretende preencher com a Oficina de Criação, Confecção e Manipulação de Bonecos de Fios, que dará na Oficina de Criação, entre 21 de janeiro e 13 de fevereiro.
‘‘No meu entender a criação passa por um processo mais refinado’’, comenta. ‘‘As pessoas não estão acostumadas a pensar mais profundamente no boneco. Elas imaginam que ele seja só um objeto, e não é assim’’. O marionetista afirma que assim como os atores criam pequenos detalhes para seus personagens, o mesmo deve acontecer em relação ao boneco.
No curso, de aproximadamente 60 horas, os alunos serão convidados a discutir os personagens que querem criar. O resultado dessa conversa irá parar no papel e só então será analisado qual o material a ser utilizado na confecção.
SilêncioA Oficina de Criação, Confecção e Manipulação de Bonecos de Fios termina em fevereiro com um espetáculo que será criado coletivamente no transcorrer do curso. O professor deixa claro sua preferência pelos roteiros cujo elemento principal seja o gesto. Para ele, a palavra está para o ator, assim como o gesto está para os bonecos.
Há dez anos trabalhando com marionetes, Paulinho de Jesus vê com bons olhos a situação atual dos que se dedicam à arte. Falta muito para chegar-se ao ideal, mas há uns quatro anos, calcula, a arte bonequeira vem ganhando espaço em todo o Brasil.
Mesmo na televisão os bonecos são atrações constantes, desde programas populares como os de Gugu e Faustão até os de Jô Soares e da TV Cultura. Por outro lado também está havendo um envolvimento maior dos artistas na seriedade do trabalho.
Os festivais que acontecem regularmente em Canela (RS), São Paulo, Curitiba e Brasília geram, por sua vez, um público cativo e cada vez mais exigente. Paulinho lembra que nas primeiras edições do evento em Canela, a platéia embasbacava-se com todo e qualquer cartaz vindo do exterior. Hoje a situação é outra.
A mesma reação ocorre em Curitiba, no festival internacional produzido pelo Teatro Guaíra, no meio do ano. Criou-se um grau de exigência que não existia até pouco tempo atrás. Contudo, a mudança de comportamento não diz respeito apenas à platéia - também os artistas passaram a obrigar-se a um trabalho mais refinado, inclusive acompanhando a tendência da mistura de linguagens. O resultado é um só: ganho para todos.
Planos de PaulinhoO curso ministrado pelo ator no Espaço Cênico é apenas o começo de uma série de projetos que ele pretende realizar neste ano. Logicamente que tudo vai depender do humor dos patrocinadores. Um dos espetáculos acalantados há um bom tempo chama-se ‘‘Equilibrista’’.
Outros, porém, estão na mira: ‘‘As Variedades de Proteu’’, de José da Silva, o Judeu, com a Orquestra América Antiga, e ‘‘A Longa Viagem do Capitão Fulano de Tal’’.
São duas produções ambiciosas. ‘‘As Variedades de Proteu’’ colocará no palco 18 personagens (seis principais e o restante ‘‘figurantes’’) para contar as engraçadas agruras ocorridas numa localidade da era medieval. José da Silva, conhecido como Judeu, sofreu os horrores da inquisição mas perpetuou no tempo a crítica aos costumes da época - os tropeços da política e do clero.
O espetáculo é uma opereta. Poderia muito bem ser feito com atores, mas Judeu escreveu para teatro de bonecos, como um subterfúgio para não bater de frente com os poderosos da época. ‘‘É um trabalho que continua sendo muito atual pelos assuntos que ele aborda’’, diz Paulinho. A estréia está prevista para o segundo semestre, provavelmente em agosto.
‘‘A Longa Viagem do Capitão Fulano de Tal’’, terá em cena bonecos e atores, entre eles o próprio Paulinho, Ana Toledo, Guta Borges e Enéas Lour. A montagem é uma adaptação da obra ‘‘Longa Jornada Sobre o Oceano’’, de Bertolt Brecht, feita por Enéas Lour. ‘‘Se depender de projetos e da minha disposição em trabalhar, este ano será maravilhoso’’, brinca o ator.

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