Uma fábula é mais do que uma história. É um pedacinho de sonho, que é tão e mais fascinante por ser colorido pela imaginação de autores como Leonardo Da Vinci. Universo onírico em que tudo é possível, onde os autores têm poderes de semideuses para fazer bichos falarem e objetos inanimados a capacidade de dar lições morais.
''Fábulas de Leonardo Da Vinci'', CD produzido pela Zucca Produções e ACR Produções, em parceria com a Biscoito Fino, que lança o disco pelo selo infantil Biscoitinho, é um pedacinho desse reino, com a diferença de fazer sonhar também com as cores da música, através da nova adaptação das pequenas histórias musicadas. Um reinado que é preciso ficar do tamanho de uma criança para conhecer e que o compositor Alfredo Sertã nunca esqueceu o caminho, desde que ganhou de presente de aniversário um exemplar ilustrado do livro ''Leonardo Da Vinci - Fábulas e Lendas''.
Num primeiro momento, ele não deu muita importância ao presente - sabe como é, criança prefere brinquedos. Porém, depois que o seu irmão disse que Da Vinci era o homem mais inteligente que existiu, os personagens das fábulas não pararam mais de falar e contar suas histórias ao músico.
Presentaço que Sertã oferece agora às novas gerações, através do CD com músicas inéditas compostas para, além de ajudar a contar as fábulas de Da Vinci narradas pelos atores Patrícia Pillar, Paulo Goulart e Beth Goulart, têm o objetivo pedagógico de mostrar às crianças as sonoridades dos diversos instrumentos.
Como fez Sergei Prokofiev em ''Pedro e o Lobo'', Sertã compõe a sua própria fábula musical inspirada ainda em ''O Carnaval de Animais'', de Camille Saint-Saens; ''O Lago dos Cisnes'', de Tchaikovsky; ''Suite Peer Gynt'', de Advard Grieg; ''O Aprendiz de Feiticeiro'', de Paul Dukas; e outras composições em que a música dita o ritmo da história.
Na fábula ''O Papel e a Tinta'', narrada por Patrícia Pillar, são apresentados os sons do piano, um quarteto de cordas e uma clarineta, que ilustram a história de um papel, que descobre que há males que vêm para o bem.
A imaginação fica presa pela voz de Paulo Goulart, que na história ''A Formiga e o Grão de Trigo'', tem a chave que mantém os ouvintes atentos à narrativa. A música criada por Sertã faz o papel de Da Vinci, que tinha como bem supremo a liberdade, liberando vários instrumentos de percussão para criar imagens do que está sendo contado.
Entre cordas, sopros e percussão, a fábula ''A Navalha'', na voz de Beth Goulart põe numa balança a vaidade e o trabalho. A música é o fiel dessa balança, que faz justiça às alegorias de Da Vinci.
''A Rede'' encerra o CD com mais uma narração de Paulo Goulart, deixando a porta aberta não só para as fábulas de Da Vinci entrarem, mas também para as de Esopo, La Fontaine, Monteiro Lobato, e músicas de outros compositores, como Mozart e Beethoven.

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