Fotos: Cacalo Kfouri/Carta Z NotíciasDébora
Rodrigues:
‘‘Nunca
pude
sonhar.
Agora ~
quero
ser
feliz.’’Débora Rodrigues trocou a dura vida de acampamento de sem-terra pelo abrigo seguro e glamouroso dos estúdios de tevê. No comando do programa Fantasia, nas tardes do SBT, a moça deixa o passado de fome e necessidade financeira definitivamente para trás. A primeira coisa que fez foi comprar uma bela e espaçosa casa em São Paulo. ‘‘O momento atual é uma bênção de Deus’’, agradece Débora, sem esquecer de quem considera o responsável pela guinada radical de sua vida. ‘‘Devo tudo ao Sílvio Santos. Ele deu esta oportunidade e não quero decepcioná-lo’’, endeusa a apresentadora de 29 anos.
Mas a história da fama desta filha de caminhoneiro começou mesmo quando posou para a Playboy em outubro de 1997. As fotos criaram polêmica com o Movimento dos Sem Terra, do qual participava, e catapultaram a moça na mídia como musa antes mesmo da publicação. O primeiro efeito foi a inflação no cachê da revista masculina - passou de R$ 20 mil para R$ 100 mil. Não demorou para a morena de 1,71 m, 62 kg e medidas generosas - 91 de busto, 66 de cintura e 94 de quadril - ser contratada por Sílvio Santos. ‘‘Ele me viu em entrevistas e gostou do meu jeito’’, afirma. Débora apresenta o Fantasia longe de preocupações sociais: o programa é recheado de brincadeiras com o único objetivo de faturar com ligações via 0900.
O programa foi inspirado em um modelo italiano fora do ar há anos. Logo na terceira semana de existência já conseguia picos de 16 pontos no Ibope - agora estabilizou em 12 pontos. A alavancagem da audiência contou também com 70 garotas que cantam paródias, dançam coreografias de gosto duvidoso e fazem sinais infames para o espectador ligar para o programa. Débora apresenta o equivalente a um bloco. ‘‘Tinha certeza que daria certo. O Silvio é craque’’, badala.
O desempenho da apresentadora tem agradado na emissora. Tanto que seu contrato de seis meses foi renovado por mais um ano, independentemente do Fantasia continuar ou não no ar. Mostrando-se desinibida e bem-articulada no vídeo, Débora não faz feio para uma principiante na profissão. Pelo contrário: fica bastante à vontade diante da câmara. ‘‘No início tinha vergonha e ficava aflita. É difícil falar para a câmara, pois ela não responde’’, lembra a apresentadora.
A agenda da moça está lotada de compromissos para comerciais, apresentar desfiles e participar de rodeios ou de eventos sociais. É o preço que Débora começa a pagar por ser conhecida. ‘‘Não tenho tempo para nada. E olha que seleciono o que vou fazer’’, espanta-se.
Quanto aos falatórios, a apresentadora encara como discriminação. ‘‘São invejosos, que não vibram com o sucesso de ninguém’’, devolve. A ex-sem-terra não entende o porquê de tanta polêmica por posar nua. ‘‘Se fosse uma atriz, ninguém ia falar nada’’, compara. Débora conta que aceitou fazer as fotos porque passava fome e seus dois filhos estavam morando com o ex-marido. E faz questão de dizer que dignidade sempre fez parte de seu vocabulário. ‘‘Nunca matei, roubei ou me prostitui’’, fala calmamente.
Débora quer agora é viver o presente. Principalmente depois de passar por uma recauchutagem, com direito a implante de silicone nos seios e lipoaspiração. ‘‘Não fiquei nenhuma Brastemp, mas melhorou’’, diz modestamente. Débora garante que está vivendo uma realidade com jeito de fantasia. ‘‘Nunca pude sonhar. Agora quero ser feliz’’, proclama.
Débora Rodrigues batalhou muito desde pequena. Paranaense de Bela Vista do Paraíso, aos 12 anos começou a trabalhar como babá. Aos 16 já ansiava por liberdade e foi morar sozinha. Menos de um ano depois ficou grávida, casou-se e a situação financeira ficou difícil. ‘‘Mas nunca tive medo de trabalho’’, orgulha-se Débora. Por isso, não fez corpo mole: trabalhou como faxineira, frentista, motorista de ônibus, telefonista e secretária. ‘‘Sei dirigir caminhão melhor que muito homem’’, desafia a apresentadora.
Débora entrou para o MST em 1995, quando foi trabalhar como motorista e transportava assentados. Apesar de ter se desligado do movimento, ela insiste em dizer que a reforma agrária é o problema mais sério do país e que sua preocupação não é com a diretoria do movimento. ‘‘Me preocupo é com quem mora debaixo de lona’’, afirma Débora. Ainda impressionada com a transformação - relâmpago de sem-terra para apresentadora de tevê, Débora conta orgulhosa. ‘‘Quando participei de A Indomada, o José Mayer me chamou de mulher-meteoro. Adorei’’, brinca Débora.

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