O Festival Cozinha & Sabor, iniciativa do Grupo Folha de Comunicação, chega à reta final. Depois de movimentar a cidade nos últimos meses com concursos de pratos de botecos e restaurantes, workshops e palestras com profissionais da área, a organização do festival revela quem será o grande responsável em eleger os pratos vencedores dentre os mais votados pelo público na internet: o chef Arthur Sauer.
O anúncio dos ganhadores nas duas categorias – boteco e restaurante - será realizado no dia 24 de novembro, num evento que promete ser um grande show na cozinha: o workshop "Grandes Chefs". Neste dia, o chef ainda vai escolher o melhor prato do concurso entre os universitários do curso de Gastronomia da Unifil, que vão auxiliá-lo na realização de um cardápio a ser servido para os convidados. O projeto termina com a produção de um Guia Gastronômico.
Com uma carreira internacional, o paulistano Arthur Sauer ficou ainda mais conhecido após ser o campeão na primeira edição do programa de reality show "Cozinha sob Pressão", apresentado pelo Chef Carlos Bertolazzi, no SBT. Na escolha do vencedor do Festival Cozinha & Sabor, ele garante que não vai ser duro como os jurados dos famosos programas, tampouco rude. "Eu sou duro dentro de uma cozinha. O concurso é diferente de um restaurante, vou para avaliar qual o melhor. E o mínimo que eu espero dos participantes é o seu melhor. Se o prato vier uma catástrofe não há nem o que falar. Mas eu não vou ser grosseiro e nem é essa a ideia. Digo que cozinhar tem que ser com prazer", diz.
Além da qualidade, ele espera criatividade dos participantes. "Vou fazer a degustação avaliando, primeiramente, a aparência, porque comemos com os olhos. Depois, avaliar a maior quantidade de sentidos que aquele prato proporciona; tem que ter textura, tato, aroma e, obviamente, o sabor. E criatividade também é muito bom. Se tiver um ingrediente paranaense, melhor ainda; traz um charme. Não quero que ninguém inove nada, mas que eu coloque na boca e tenha vontade de comer de novo", diz.

DESMISTIFICANDO A COZINHA
Dono de uma fisionomia e talento marcantes, Sauer provou que possui de sobra muita agilidade e equilíbrio emocional numa cozinha. Mas ele desmistifica aquele ambiente dos programas televisivos que beira a histeria, muitas vezes com gritos e críticas fortes. "Isso não acontece nas cozinhas, senão dá morte. É mais uma encenação, senão o programa fica sem graça. Se no dia a dia for assim, dá problema. Mas uma coisa é certa: quem trabalha mais rápido sob pressão se dá bem. Por isso, é preciso muito jogo de cintura."
Em visita à Folha de Londrina, onde esteve acertando os últimos detalhes para o grande dia, ele destacou a experiência como ponto fundamental para o sucesso e os bastidores nem sempre revelados. "As escolas são muito importantes para a formação, pois é preciso treinamento. Digo que ser chef é como um jogador de futebol, que mesmo sendo mediano, com um bom treinamento, pode tornar-se um excelente jogador. Um chef de cozinha nada mais é que treino e, claro, gostar do que faz. Pode parecer piegas, propaganda de tempero pronto, mas sem amor não sai nada."
Numa conversa descontraída, o chef revelou que cozinhar, para ele, não é hobby. "Quem tem que ser bom em cozinhar é o cozinheiro. Claro que o chef deve ser bom, mas, seu papel, na verdade, é saber administrar a cozinha, o cardápio na ponta língua, cada detalhe, cada ingrediente, saber fazer compras e, sobretudo, ser uma pessoa muito humana", definiu, acrescentando que não é uma profissão fácil.
E para quem sonha com o status atualmente atribuído a muitos "chef de cuisine", ele avisa que "nada é glamour, mas muita 'ralação', literalmente", diz, mostrando as inúmeras marcas de cicatrizes. "Dizemos no nosso meio que, para ser chef você tem que ter, pelo menos uma vez na vida, trabalhado mais de 16 horas num dia, se divorciado uma vez e enfiado a mão no ralo."

Chef tem currículo internacional
Indicado a Chef Revelação pela Revista Veja nos anos de 2009/2010 e 2010/2011, Arthur Sauer já tinha uma carreira sólida antes do programa. Estudou Hotelaria na Bélgica e, na França, fez faculdade de Gastronomia, no Instituto Paul Bocuse, em Lyon. Também realizou diversos cursos na Itália e EUA, em Nova York. Nesta cidade, aliás, trabalhou no Daniel Restaurant. Ainda passou por outros restaurantes renomados como Hostellerie de Plaisance, em Saint-Émilion, França; Enoteca Pinchiorri, em Florença, Itália; Cantaloup, Le Vin, La Tambouille e Roux Bistrô, em São Paulo; e Grupo Fasano (Fasano, Parigi, Fasano Al Mare e Gero Rio), em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Em 2013 vendeu o Bistrô Roux e decidiu dedicar-se às consultorias e, agora, está com projetos para novas empreitadas. "Acho muito legal ter restaurante, não troco minha carreira por nada e não vou ser feliz fazendo outra coisa. Mas, para mim, como disse, cozinhar não é hobby. Não há diversão numa cozinha, você chega cedo e sai tarde, corta a mão, se queima e continua. Mas cozinhar é legal. Porém, não é o que eu quero no momento, apesar das inúmeras propostas que recebi."
Embora ainda não tenha "batido o martelo" para nada, já gravou três pilotos diferentes para programas de televisão. "Um é com minha mãe cozinhando. Outro sou eu com uma chef num projeto de carnes. O terceiro sou eu sozinho; um chef na estrada. Vamos ver o que acontece", adianta. (M.T.)

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