NO MEU TEMPO DE ESCOLA
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 

Marcelo Caldi é idealizador do Projeto "Sanfona é Cultura Popular nas Escolas", que atingiu cerca de 7 mil crianças nos últimos três anos, em escolas públicas do Rio de Janeiro. Junto com o grupo de cantores e instrumentistas consagrados do cenário carioca, acaba de lançar o CD "Farra dos Brinquedos", uma aula para crianças sobre a variedade dos ritmos folclóricos brasileiros, o lado encantador, poético e brincante da música popular brasileira. É um convite às crianças (e também aos adultos) conhecerem de perto essa riqueza e diversidade. Nesse sentido, o trabalho visa contribuir para a educação musical, ampliando a percepção do público infantil a partir de elementos da nossa cultura, dentro de um repertório que transita por gêneros como samba, choro, tango, polca, salsa, marcha, baião, xote, maxixe, guarânia, jazz e rock n roll.
O que você mais gostava de fazer na escola quando criança?
Eu gostava de brincar com os amigos.
Qual a melhor lembrança desse período de escola?
Estudei numa escola com muita mata virgem e espaço. Acho que isto é fundamental nos dias de hoje para a criança crescer com a sensação de liberdade, pois na cidade grande os espaços são muito pequenos. Hoje vemos crianças nos seus aparelhos eletrônicos (iPad, iPhone, tablets etc.) que nem sabem o que é uma brincadeira coletiva, não correm e com isso não gastam toda seu potencial de energia.
Havia alguma matéria que gostava mais? E qual era a que gostava menos?
Sempre fui encantado com o mundo dos bichos, principalmente os insetos. Por isso, as Ciências e a Biologia me encantavam. Não gostava da aula de Religião, a gente era obrigado a cantar um monte de músicas que não queria.
Suas notas eram boas? Qual a disciplina que ia melhor?
Minhas notas eram boas, mas isto não quer dizer que eu era um aluno super estudioso. Eu ia melhor em Matemática, Química e Português.
O que você gostava de comer na hora do recreio?
Salgadinho Fandangos. Mas não contem pra ninguém! rs. Hoje a receita é feita com milho transgênico! Argh!!!!
Você já ficou de castigo ou levou bronca do professor alguma vez? Como foi?
Claro que sim. Eu não era mau aluno nem o mais bagunceiro, mas volta e meia eu estava na turminha que gostava de bagunçar, cantar e fazer barulho. E, claro, matar umas aulinhas de vez em quando.
Como começou na música?
Venho de uma família de músicos. Mãe e pai pianistas de carreira e professores de universidades no Rio de Janeiro e em São Paulo. Inclusive tenho ótimas histórias com eles nos incríveis festivais de inverno de Londrina, quando meus pais eram professores e eu, criança. Depois de um tempo, eu já crescido e músico profissional, também fui convidado como professor de acordeon, o que me fez voltar à cidade, que respira música.
Já gostava de cantar quando criança? E de compor?
Sim, eu cantava com meus 5 irmãos e já compunha desde criança. Minha musicalização foi feita e junto nascia a vontade de compor.
Quais eram suas bandas ou cantores favoritos nessa época?
Eu gostava de ouvir de tudo. Me lembro de comprar meu primeiro vinil, que foi uma coletânea muito louca, de três compositores muito diferentes: Djavan, Ivan Lins e Moraes Moreira. Eu adorava! Sempre ouvi de tudo, tanto pelos pais como pelos irmãos mais velhos: músicas dos festivais dos anos 60, Luiz Gonzaga, música clássica, tango, Beatles e os sucessos dos anos 80, Supertramp, Queen... uma miscelânea que me faz ser bem eclético hoje.
Quando criança, imaginava que teria essa profissão?
Eu imaginava porque me espelhei nos meus pais, mas eu poderia ter sido biólogo e até químico. A música acabou me chamando mais forte. Eu gostava dessa ideia de não ficar num lugar só, um escritório onde tivesse que passar o dia inteiro e depois semanas, meses, anos... a música me levou a conhecer o mundo todo, América Latina, Europa, Japão. Querem coisa melhor?


