Imagem ilustrativa da imagem NO MEU TEMPO DE ESCOLA
| Foto: Saulo Ohara
Kiara Terra queria ser atriz e se transformou numa contadora de histórias



Kiara Terra nasceu em São Paulo e desde cedo gostava de inventar palavras novas. Formou-se em Teatro no Célia Helena Teatro-escola e Comunicação das Artes do Corpo na PUC-SP. Em sua trajetória, conheceu a dança, a performance, a improvisação e tantas outras linguagens. Aos 19 anos, começou a escrever e contar histórias profissionalmente. Ao contar, encontrava pessoas repletas de histórias vividas. Além de contar, passou a ouvi-las e, assim, criou "A História Aberta", narrativas colaborativas em que o público é coautor. Kiara conta, escuta e conduz. A medida que as histórias se encontram pode-se acolher novas perguntas, lembranças e experimentar a sensação de empatia e pertencimento. Há quatro anos organizou seu método e passou a viver uma jornada formando professores pelo Brasil. Em 2009, lançou seu primeiro livro "A menina dos pais crianças", pela editora Ática, ilustrado por Jean Claude R. Alphen. Depois vieram os livros "Hocus Pocus" e"O tatu-bola e a girafa".



Qual a melhor lembrança do seu tempo de escola?
A escola não foi um espaço fácil para mim. Eu era a última escolhida do time, me sentia muito esquisita, achava que só eu era diferente e meus pais eram muito malucos em relação aos pais das outras crianças. Mas eu tenho a lembrança de bons professores, que eram grandes contadores de história. Ver aqueles adultos tão apaixonados pelo que faziam e falando das coisas com tanto amor, para mim, foi muito transformador.

Havia algo que você gostava mais de fazer quando estava na escola?
Eu ia à escola para encontrar com as pessoas. Eu gostava muito de fazer teatro, de ir à biblioteca da escola ficar folheando os livros. E das festas juninas, em que eu sempre casava de noiva. A escola era um lugar em que sabia como as coisas iam acontecer ali: havia a hora da chegada, das aulas, da saída. Essa sensação era muito boa. Eu gostava do prédio da escola, de andar por ele. Havia uma mangueira e eu ficava lá em cima da árvore, olhando todo mundo lá embaixo.

Você era muito bagunceira?
Acho que não. Eu me distraía muito. Mas analisando a palavra distraído, hoje eu penso que quem é distraído não trai a si mesmo. Muitas vezes eu ficava desligada, desenhando. Mas bagunça, não.

Como eram suas notas?
Mais ou menos. Eu fui bem até o quarto ano e depois, não. Mas, depois eu peguei prazer por conhecer as coisas, principalmente na aula de História, de Português, Geografia. Nessas aulas, eu gostava muito de entender que tinha alguém te contando uma história e que você podia interagir com essa história.

O que você comia na hora do recreio?
Nisso eu também não tenho uma boa lembrança. Eu levava, geralmente, o que tinha em casa. Minha mãe colocava uma banana na lancheira e, quando eu abria, vinha aquele cheiro forte. Eu me lembro que gostava de comer jabuticaba no pé que havia atrás da escola.

Quando criança, o que gostaria de ser quando crescesse?
Eu queria ser atriz. Mas, hoje, como contadora de história, percebo que já eu fazia isso desde muito cedo.

mockup