Muito conhecido por seu personagem Edibar, o cartunista paranaense Lucio Oliveira, atualmente, colhe os frutos das tirinhas do beberrão, machista e desbocado que divide cena com a esposa Edmunda, a sogra dona Ana Conda, o amigo Zé Manguaça, o cachorro Gole e Dr. Paulo Sarado. As tiras são publicadas em primeira mão pela Folha de Londrina desde 2012, e, hoje, também ilustram cerca de dez outros jornais impressos. Desenhado totalmente à mão, Edibar faz muito sucesso na internet e redes sociais, chegando a ter uma média de 5 mil compartilhamentos a cada nova publicação.

O que você mais gostava de fazer na escola quando criança? Qual a melhor lembrança desse período de escola?
Desde pequeno, sempre me destaquei na escola como o desenhista da sala. Por conta disso, minha iniciação na vida escolar não foi das melhores. Na hora do recreio, sempre apareciam meninos querendo me bater. Acho que eles detestavam essa "atenção" que eu recebia dos professores pelo fato de desenhar melhor que eles. Por isso, sempre andei sozinho e quieto.

Havia alguma matéria que gostava mais? E qual era a que gostava menos?
A que eu gostava mais era Educação Artística, é claro. História vinha em seguida. Nunca gostei das aulas de Educação Física. Nada contra, mas para mim era terrível nunca ser escalado para jogar no time dos garotos da minha sala. Sempre fui deixado de fora.

Você já ficou de castigo ou levou bronca do professor alguma vez? Como foi?
O primário foi uma fase angelical que só faltava um par de asas nas costas no lugar da mochila. Os professores levavam os mais comportados para o cinema e eu fui algumas vezes. Era sentir-se o aluno mais importante do mundo por assistir aos filmes comendo pipoca ao lado da professora.

Fazia muita bagunça ou conversava durante a aula?
Na sexta série fui para o "lado negro da força" e fiz parte da turma do fundão. Era impossível não ser contagiado com as risadinhas dos colegas na hora da aula. Até o dia que acertei na lousa uma bola de papel molhado. Pronto! Por mau comportamento a professora mandou-me direto para a sala do diretor. Ele fez-me assinar o temido "Livro Negro" e varrer todo o pátio da escola de castigo.

Suas notas eram boas? Qual disciplina ia melhor?
Sempre tive notas boas. Escorregava de vez em quando em Matemática, mas nada irrecuperável. Só "bombei" uma vez de ano porque fiquei de namorico na escola em vez de estudar.

O que você gostava de fazer na hora do recreio? Qual lanche levava para comer?
Como eu fui de família muito humilde, tinha de me virar se quisesse comer alguma coisa diferente. Para fugir da sopa que era servida na escola, eu comercializava desenhos de heróis com os colegas no recreio. Com o dinheiro eu comprava sanduíches e ia comer sossegado num canto do pátio.

Você tinha muitos amigos na escola? Como eram suas relações?
Tive poucos amigos, mas foram tão verdadeiros que a amizade permanece até hoje.

Já gostava de desenhar quando criança? Se sim, chegou a criar algum personagem nessa época?
Sempre gostei de desenhar, mas nunca tive um personagem. Gostava de desenhar animais, caminhões, helicópteros, um cenário apocalíptico ou coisa parecida.

O que gostava de ler? Quais eram os autores e personagens preferidos?
Ganhei uma coleção de livros do "Sítio do Pica-Pau Amarelo" da minha falecida avó. Eu lia e relia os quatro livros diariamente. Foi a porta para o mundo da leitura. Depois disso, comecei a devorar todos os livros ilustrados e gibis que apareciam pela frente.

Quando criança, imaginava que teria essa profissão?
Falar para as pessoas que eu queria ser um cartunista, era o mesmo que falar que eu queria ir até a lua. Elas me olhavam de um jeito estranho porque ninguém entendia nada sobre isso. Às vezes batia um certo desânimo por eu não encontrar uma alma sequer para conversar profissionalmente sobre o assunto. Eu estava andando pelo caminho certo? Todos diziam que desenhar era coisa de criança e que eu ainda encontraria um trabalho "normal" para fazer no futuro. Na fase adulta, por passar por inúmeras situações desanimadoras, quase desisti de desenhar. Com a ajuda de Deus, prossegui e hoje meu trabalho é reconhecido em todo o Brasil e até na Europa. Acredito que a luz não está no fim do túnel, ela está dentro de nós mesmos.

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