NO MEU TEMPO DE ESCOLA
Ricardo Azevedo, escritor e ilustrador paulista nascido em 1949, é autor de muitos livros para crianças e jovens, entre eles "Um Homem no Sótão" (Ática); "A Casa do Meu Avô" (Ática); "O Livro das Palavras" (Editora do Brasil); "Contos de Espanto e "Alumbramento" (Scipione) e "O Livro de Papel" (Editora do Brasil). Já ganhou várias vezes o prêmio Jabuti e tem livros publicados em vários países, como Alemanha, México, França e Holanda. Além dos livros, publicou diversos estudos e artigos de literatura e poesia, problemas do uso da literatura na escola, cultura popular, Música Popular Brasileira e questões relativas à ilustração de livros. Ricardo Azevedo é bacharel em Comunicação Visual pela Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado e doutor em Letras pela Universidade de São Paulo.
O que você mais gostava de fazer na escola quando criança? Qual a melhor lembrança desse período de escola?
Quando era pequeno, gostava muito da aula de ginástica, de jogar bola com os colegas e de brincar sempre que possível. Minha melhor lembrança da escola são os colegas, alguns são amigos até hoje, e também alguns professores.
Havia alguma matéria que gostava mais? E qual era a que gostava menos?
Quando já não tão pequeno, a coisa que eu mais gostava era de fazer as redações. Tirava boas notas e percebi que gostava muito de poder criar uma cena ou uma história. Como costumo dizer, os alunos precisam perceber como pode ser divertido escrever uma redação. O professor pede: "Escrevam sobre suas férias". O aluno pode escrever: "Minhas férias em cima de uma árvore ou dentro de um armário". Quero dizer que, com as redações, o aluno pode descobrir que não é proibido inventar. Só sei que a partir das redações escolares passei imediatamente a ler de outra forma, prestar mais atenção em como os escritores armavam os diálogos, descreviam as cenas e organizavam a forma como a narrativa era contada. Escrever e ler são coisas meio que inseparáveis e isso eu aprendi fazendo as redações, na escola, a partir, acho, do 5º ou 6º ano. Preciso contar que era bem ruinzinho em Matemática.
Você já ficou de castigo ou levou bronca do professor alguma vez? Como foi?
Para falar a verdade, eu era um aluno bastante inquieto, repeti de ano duas vezes, e fazia um pouco de bagunça. Como na escola em que estudei a disciplina era rígida, a coisa se complicou para o meu lado. Foi duro mas até que foi divertido.
O que você gostava de fazer na hora do recreio?
A hora do recreio era uma hora de trocar ideias com os amigos, falar sobre algum jogo ou time de futebol, olhar aquelas meninas que eu achava as mais lindas e mil assuntos do nosso interesse.
Suas notas eram boas? Qual a disciplina que ia melhor?
Era um aluno mediano e em algumas matérias eu ia mal. Acho que em Português eu tirava boas notas. Gostava muito de História. Sempre achei interessante conhecê-la, principalmente, a História do Brasil.
Você tinha muitos amigos na escola?
Sim, tinha amigos e lembro que todas as quartas-feiras a gente jogava bola à tarde fora da escola. Era muito legal.
Já gostava de escrever quando criança?
A primeira versão do meu livro "Um Homem no Sótão", publicado pela Ática, foi escrita quando eu estava no segundo colegial (atual segundo ano do ensino médio), acho. Tenho o original datilografado até hoje.
Conte sobre essa experiência.
Bem, como disse, a partir das redações escolares, comecei a fazer textos por conta própria, sem ninguém pedir. Isso com uns 14 ou 15 anos por aí. Na época, caiu na minha mão um exemplar da revista Humboldt de intercâmbio cultural Brasil-Alemanha. Nela, li três contos do autor suíço Peter Bichsel. Adorei e disse pra mim mesmo: quero escrever que nem esse cara. A partir da leitura desses três contos, tempos depois, escrevi um texto chamado "Um Autor de Contos para Crianças", que 12 anos mais tarde virou o livro "Um Homem no Sótão". O livro do Peter Bichsel foi publicado em português, pela Ática com o título "O Homem que Não Queria Saber de Mais Nada e Outras Histórias". Recomendo a todo mundo, de todas as idades.
O que gostava de ler? Quais eram os autores e personagens preferidos?
Meu pai era professor e a gente tinha em casa uma ótima biblioteca. Foi uma sorte. Como tanto ele como minha mãe gostavam de ler, eu e meus irmãos começamos a ler também. Poderia citar um monte de livros lidos na infância, mas vou citar só dois: Robin Hood, numa versão feita por Monteiro Lobato. Li esse livro umas vinte vezes. E a coleção em quadrinhos de "As Aventuras de Tintim", criada por Hergé. Tenho até hoje o Robin Hood e a coleção do Tintim. Guardo tanto na estante como no meu coração.
Quando criança, imaginava que teria essa profissão?
Nem de longe imaginava que um dia seria escritor.





