No meu tempo de escola
A escritora Heloisa Prieto é paulistana, e nasceu em 1954. Formada em Letras, Mestre em Comunicação e Semiótica e Doutora em Literatura Francesa, é autora de diversas obras de literatura infantojuvenil. Já publicou mais de 60 livros, entre eles "Lenora" (Rocco, 2008), "A loira do banheiro" (Ática, 2008) e "A tábua de esmeraldas" (Moderna, 2007), sendo que vários deles foram adaptados para o cinema, teatro e televisão. Tendo recebido diversos prêmios literários, entre eles dois Jabutis, Heloisa desenvolve pesquisa sobre criação literária e ministra oficinas sobre o tema voltadas para jovens escritores e educadores. Seu mais recente trabalho é o livro "A Vitória de Mairarê", publicado pela editora Bamboozinho.
O que você mais gostava de fazer na escola quando criança?
Eu adorava a escola e fui uma ótima aluna. Gostava de escrever e de colorir. Lembro que a professora colocava um quadro com uma paisagem linda e nós tínhamos que escrever a descrição da imagem. Essa atividade era uma das minhas favoritas.
Havia alguma matéria de que gostava mais? E qual era a que gostava menos?
Sempre adorei Língua Portuguesa e História. Detestava Matemática; até hoje tenho dificuldades com o pensamento matemático.
Você já ficou de castigo ou levou bronca do professor alguma vez? Como foi?
Na verdade, eu era uma aluna exemplar e sempre elogiada. Meu problema era o bullying das colegas que me chamavam de esquisita. Hoje em dia, revendo tudo, acho que justamente por ter sido uma aluna tão querida pelas mestras, talvez despertasse ciúme. Uma situação constrangedora foi uma apresentação musical. Desafinei à beça. A professora me pediu para fingir que cantava.
O que você gostava de fazer na hora do recreio? Qual lanche levava para comer?
Eu gostava de caminhar pelo pátio conversando com as amigas. Levava maçã, sanduíche e ovo cozido com casca. Achava lindo ficar descascando o ovo, não sei por quê.
Você sentava em que lugar na sala de aula? Fazia muita bagunça ou conversava durante a aula?
Eu sentava no lugar indicado pela professora. Estudei em colégio de freiras francesas, o Emilie de Villeneuve. Tudo era muito organizado. Não fui uma aluna bagunceira e não conversava durante a aula. Mas, em casa, não parava de aprontar. Minha mãe dizia que eu tinha dupla personalidade.
Suas notas eram boas? Qual a disciplina que ia melhor?
Sim, tirava notas muito altas e era a melhor aluna em Língua Portuguesa.
Você tinha muitos amigos na escola?
Sim, várias amigas, pois era um colégio de garotas. Tinha primas também de quem continuo muito próxima. Mantenho contato com algumas colegas de colégio até hoje.
Você já escrevia histórias quando criança?
Sim, escrevia história da bíblia e minhas preferidas eram: a Arca de Nóe, porque eu amava animais, e Caim e Abel, porque me identificava com Caim, o rebelde.
Qual livro de sua infância que você tem boas recordações? Sobre o que falava?
A coleção do Sítio do Pica Pau Amarelo era uma paixão, principalmente as histórias folclóricas da mata; os contos de Hans Christian Andersen, com destaque para a Menina dos Fósforos; e o Guarani, de José de Alencar, que li ainda pequenina. Meu pai, Luiz Felippe Prieto, era apaixonado por cultura indígena e trago comigo essa bela herança. Recentemente, o poeta Victor Scatolin e eu fizemos uma homenagem à infância guarani por meio do livro "A vitória de Mairarê". Ficou lindo, pois o livro traz um app com a narração de um poema em guarani, algo inédito no Brasil.





