No meu tempo de escola
Mauricio de Sousa é um dos mais famosos cartunistas e autor brasileiro em quadrinhos. Nascido em Santa Isabel (SP) em 1935, completará 80 anos no dia 27 de outubro. Passou parte de sua infância em Mogi das Cruzes, desenhando e rabiscando nos cadernos da escola. Mais tarde passou a ilustrar pôsteres e cartazes para os comerciantes da região. É criador da "Turma da Mônica" e vários outros personagens de história em quadrinhos. Entre quadrinhos e tiras de jornais, hoje, suas criações chegam a cerca de 50 países.
O que você mais gostava de fazer na escola quando criança?
O que toda criança gosta que é conversar com os colegas. Às vezes, na hora errada, outras vezes, na hora do recreio. Mas, geralmente, era fazer amizades e crescer junto com o conhecimento dos colegas.
Qual a melhor lembrança dessa época?
A melhor lembrança é a turminha e os amigos mais chegados. Eu sempre tive minha turma e, assim, combinávamos na forma de ver o mundo. Eu via o mundo através dos meus olhos e dos olhos dos meus amigos. Era uma gostosura.
Havia alguma matéria que gostava mais?
História, porque eu tive sorte de ter professores que eram verdadeiros contadores de histórias. Se a gente ouve qualquer história, seja do Brasil, por um bom contador, você se interessa, aprende, não esquece mais e fica deleitado com isso.
E qual era a que gostava menos?
Não tive isso. Conforme o professor, gostava mais ou menos. Às vezes, a mesma matéria, mas no ano seguinte, não tinha o mesmo "gosto" ou cor.
Você já ficou de castigo alguma vez? Como foi?
Lógico. Eu sou do tempo de ficar de castigo atrás da porta. Sempre por uma conversa fora de hora, uma bagunça na classe. Nada muito grave e, consequentemente, nenhum castigo muito duro. A maioria de meus professores foram muito gentis, camaradas e cúmplices.
Então você fazia muita bagunça durante a aula?
Conforme o dia, a hora e o lugar, eu e os colegas inventávamos de contar e inventar histórias. Mas, na escola do meu tempo tudo era muito comedido e os professores eram mais respeitados. Quando eles entravam na sala todos tinham de ficar de pé. Todos tinham uma situação social muito forte e respeitada na cidade. O que, infelizmente, não acontece hoje. Os professores foram meus grandes orientadores intelectuais.
Você já gostava de desenhar nessa época?
Gostava. Tinha professor que não gostava que eu desenhasse durante a aula. Mas outros, e em particular dona Iracema Brasil, no meu quinto ano, pedia que eu ilustrasse minhas lições de casa. Eu voltava com as tarefas todas ilustradas, com cores e tudo mais. Meus colegas corriam para ver a lição do dia e conferir meus desenhos.
Chegou a criar algum personagem?
Criei uma revista feita à mão chamada "O quartinho", porque estava na quarta série. E nessa revista eu falava de aventuras de personagens baseadas nos meus colegas de classe. Os meus amigos eram os mocinhos. Os não tão amigos eram os bandidos. As meninas mais simpáticas comigo eram as mocinhas, as fadas. Aquelas que não me davam bola, pois estava na época de paquera, eram as bruxas.
Qual personagem de quadrinhos mais gostava quando crianças?
Eu sou do tempo dos super-heróis na primeira fase: Capitão América, Batman, Super-Homem. Mas também dos cômicos eu gostava de um chamado Brucutu, o Homem Pré Histórico, O Cavaleiro da Fábula Redonda e alguns da Disney.
E quais autores preferidos?
O que me orientou mais em termos de roteiro foi Will Eisner; considerado o maior autor de quadrinhos de todos os tempos. Naquele tempo eu não sabia de nada e o escolhi como meu mestre em termos de narrativa. Aprendi muito com ele.
Excepcionalmente esta semana deixamos de publicar a coluna "Eu Li na Folha"





