Escalar montanhas íngremes, atravessar rios caudalosos e degustar banquetes indigestos. Os 12 participantes da terceira edição de ''No Limite'', que estréia hoje após o ''Fantástico'', vão ter de enfrentar esses e outros desafios para conquistar o prêmio final de R$ 300 mil. Mas o maior desafio mesmo vai ser enfrentado pelo diretor Boninho. Ele tem a tarefa de resgatar o carisma e a audiência da primeira edição, que alcançou memoráveis 50 pontos em agosto de 2000. A segunda edição, dirigida por Fernando Gueiros em janeiro de 2001, teve realidade demais e show de menos. Conclusão: a audiência caiu para 35 pontos. Por isso mesmo, Boninho volta a assumir a direção de ''No Limite'' e promete uma versão mais ''light'' que a anterior. ''Ninguém quer ver gente passando fome no programa. Vou dar mais ênfase ao relacionamento humano do que ao sofrimento dos participantes'', previne Boninho.
Se a Globo decidiu mudar o diretor de ''No Limite'', a apresentação do programa continua a cargo de Zeca Camargo. Desde que começou a apresentar o ''reality show'' da Globo, o apresentador teve o título do programa incorporado ao nome. ''Hoje em dia, as pessoas me chamam mais de 'Sr. No Limite' do que de Zeca Camargo'', diverte-se. Aos 38 anos, o ''Sr. No Limite'' é o primeiro a admitir que não esperava que o programa virasse mania nacional ao atingir picos de 62 pontos. Quando sai às ruas, a pergunta que mais ouve é: ''Como faço para me inscrever no programa?''. ''Ouço essa pergunta todos os dias. Desde a pessoa que faz o check in no aeroporto até o guardador de carros. Respondo sempre que não tenho nada a ver com isso'', esquiva-se, brincalhão.
De fato, Zeca Camargo não participa do processo de seleção dos candidatos. Os 12 integrantes de ''No Limite 3'' foram escolhidos entre cem candidatos pré-selecionados. Até o diretor Guel Arraes e o autor Manoel Carlos opinaram na escolha. A intenção da Globo, segundo o autor de ''Laços de Família'', era selecionar ''tipos carismáticos''. Afinal, além da parca comida e das provas extenuantes, a alta cúpula da Globo acredita que a falta de carisma dos integrantes prejudicou a audiência da segunda edição. ''Como se fosse uma novela, os integrantes seguem tipos evidentes, como a antipática, a feia, a gordinha e assim por diante. Assim como os atores de novela, eles têm de ter carisma para o público torcer por eles'', ensina.
O cenário escolhido para ambientar o que a emissora denomina de ''novela da vida real'' é bastante paradisíaco, com direito a praias, rios e igarapés. A terceira edição de ''No Limite'' vai ser gravada na Ilha Marieta, no balneário de Salinópolis, a 250 quilômetros de Belém, no Pará. Lá, na fictícia Praia dos Coqueiros, os participantes vão dispor de muita água-de-coco e pouca comida nas nove semanas de competição. A fome, garante Boninho, vai deixar de ser um dos ''pratos principais'' do programa. ''Ninguém mais vai sofrer por causa disso. Se eles precisarem de mais comida, terão'', avisa. Embora pretenda atenuar o sofrimento dos integrantes, Boninho ressalva que a prova em que o candidato é obrigado a comer iguarias exóticas vai continuar. Segundo ele, o tradicional banquete indigesto já virou uma das marcas do programa. ''Mesmo assim, não pretendemos matar ninguém'', enfatiza, irônico.
Uma das novidades de ''No Limite 3'' é a repescagem. Na primeira fase, os quatro primeiros eliminados saem da ilha e voltam para casa com um Palio zero km e R$ 1 mil no bolso. Já os próximos seis excluídos vão ser levados para o Vale dos Exilados, onde vão ter direito à barraca, ducha e comida. Lá, eles vão disputar uma prova entre si para definir o primeiro finalista do programa. Na última fase, o vencedor da repescagem vai disputar o prêmio máximo com os outros dois finalistas na Praia dos Coqueiros. O vencedor da terceira edição de ''No Limite'' só vai ser revelado ao vivo, nos estúdios da Globo, no Rio, no dia 23 de dezembro. ''As pessoas gostam de bisbilhotar o quintal do vizinho e pensar: 'Eu poderia estar no lugar dele. E, se estivesse, o que faria?' Não há quem não resista a dar uma olhadela pelo buraco da fechadura'', arrisca Zeca Camargo.
A cabeleireira Elaine, vencedora da primeira edição de ''No Limite'', ainda desfruta da fama conquistada no programa. Depois de ganhar a primeira mandala dos quatro elementos, Elaine virou ''garota-propaganda'' do provedor IG, da loja de departamentos Eletro e da companhia de gás fluminense Cerj. Autora do livro oportunista ''Vencendo Limites'', passou a dar palestras de auto-ajuda por todo o país. No final do ano, ela pretende estrear como atriz na peça infantil ''O Rei Leão na Floresta Amazônica''. Nela, Elaine vai interpretar o papel de um urubu. ''Se eu tiver de virar atriz, ótimo. Senão, volto para o salão de cabeleireiro sem o menor problema'', analisa.
Outra que ainda rentabiliza o sucesso adquirido em ''No Limite'' é Andréa Baptista. Mesmo assim, ela culpa a edição do programa pela fama de encrenqueira. ''Todo mundo tinha dias ruins lá'', defende-se. Com os R$ 300 mil que ganhou da ''Playboy'' para aparecer nua nas páginas da revista, Andréa comprou uma casa no Rio. Atualmente, cobra R$ 5 mil para aparecer em eventos e desfiles. Ao contrário de Elaine e Andréa, Léo, o ganhador da segunda edição de ''No Limite'', não pretende seguir ''carreira artística''. ''Valeu a experiência. Mesmo assim, se tivesse de passar por tudo aquilo de novo, não aceitaria. Quanto ao dinheiro, comprei uma casa e troquei de carro'', contabiliza.

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