Jackeline Seglin
A síntese da trajetória do artista plástico paulistano Claudio Tozzi, iniciada na década de 60, é o tema da exposição ‘‘Geometrias do Tempo - o Processo em Construção’’, que estará a partir de amanhã no Museu de Arte de Londrina. A mostra, com 32 telas, será aberta às 20h30.
Tozzi antecipa que o público terá contato com uma obra em processo, que possibilita a leitura e a ligação das diversas fases de seu trabalho. Desde as primeiras séries, com a linguagem da pop-art, passando pelas fusões e reconstruções de signos de sua obra, até resultar num trabalho sintético de linguagem.
O artista avalia que sua função no começo de carreira se assemelhava ao trabalho jornalístico. Através de pesquisas de campo no Brasil e no mundo, ele elegia fatos e situações para manifestar uma arte engajada. Assim, escolhia temas como a ditadura militar, por exemplo, para construir uma linguagem contextualizada. ‘‘Eu fazia fotos e trabalhava na captação e elaboração das imagens. Era um trabalho inserido na linguagem internacional da nova figuração e da pop-art’’, lembra.
Mais tarde, Tozzi entrou no que ele chama de um período simbólico, caracterizado pela série ‘‘Parafuso’’. Foi uma época de transformações importantes, na qual surgiram novas possibilidades gráficas e novos meios de expressão.
As relações cromáticas de estrutura do quadro, ou seja, a relação forma e cor, marcaram a nova etapa do trabalho do artista. ‘‘A partir daí, a minha pintura foi ficando mais elaborada’’, conta. A questão urbana, em outra fase, colocou a arte mais ao alcance do público. A partir da década de 70, Tozzi criou temáticas e painéis que foram espalhados pela cidade de São Paulo, ilustrando prédios, metrôs e outdoors. ‘‘Recentemente, cheguei ao limite da pintura e da escultura’’, define.
Claudio Tozzi caracteriza seu trabalho como construtivo, no qual a imagem é parte da construção e não uma forma de narrativa. ‘‘Eu penso, faço o projeto, estudo a colocação de cada linha e das cores, a relação entre as cores e a estrutura’’, explica. A partir daí o artista transfere as idéias para a tela, quando surge uma relação mais emocional. ‘‘É o limite entre a razão e a emoção’’, completa. Para Claudio Tozzi, a imagem construída oferece elementos que levam a uma reflexão mais aprofundada.
Formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo, Claudio Tozzi divide seu tempo entre o ateliê e o ensino da disciplina ‘‘Estrutura da Linguagem Visual’’ na USP.
A exposição ‘‘Geometrias do Tempo’’ permanecerá aberta até 7 de agosto. Além das 32 telas expostas no Museu de Arte, o público londrinense também poderá conferir outras seis obras que estão na Casa de Cultura da UEL (Praça 1º de Maio, 118). De Londrina, a mostra segue para Cascavel, onde será inaugurada no dia 14 no Museu de Arte.
Exposição ‘‘Geometrias do Tempo - O Processo em Construção’’, do artista plástico Claudio Tozzi. Abertura: amanhã, às 20h30, no Museu de Arte de Londrina (Rua Sergipe, 640). Prossegue até 7 de agosto. Horário de visitação: de segunda à sexta, das 8 às 17 horas, e sábado, das 8 às 13 horas. Curadoria: Enio Puccini. Promoção: Secretaria Municipal da Cultura. Apoio: Curso Saber Vestibulares, de Curitiba, e Enio Puccini Galeria de Arte.

mockup