Gil Grossi/DivulgaçãoA produção do FTC teve que conseguir duas toneladas de terra para a peça ‘‘Éono钒Tambores vazios de óleo, pianos de calda, queijos, salames, molduras antigas, cadeiras sem assento e sem encosto e até dois suculentos bifes crus. Tudo, item por item, foi devidamente arrumado pela produção do 7º Festival de Teatro de Curitiba, conforme exigência das produções dos espetáculos que aqui vieram ou ainda virão até o próximo dia 29. ‘‘É uma gincana, uma guerra contra o tempo, mas é prazeroso. Então, não pode haver a expressão ‘não existe’, sem que isso abale esteticamente o espetáculo’’- diz Maria Elisa ‘‘Mana’’ Freitas, coordenadora de Produção do FTC.
Em outras palavras, é Mana - há sete anos no ofício e que na edição 98 coordena outros nove produtores - uma espécie de diretora do grande espetáculo que acontece nos bastidores. Mas para que nada se transforme numa tragédia grega, ela e equipe pedem a lista de exigências cenográficas à produção dos grupos convidados com pelo menos dois meses de antecedência do início do FTC.
Até agora, a solicitação mais difícil foram as duas toneladas de terra na Boca Maldita, para o espetáculo de rua ‘‘Éono钒, encenado no último final de semana. Foram necessários quatro caminhões para o transporte do principal material cênico. Cada carga custou R$ 80,00. Para espalhar toda terra, 25 peões foram contratados. E como produção tem que pensar em tudo, Mana e cia., não confiando muito nas condições climáticas, não tiveram dúvidas: mandaram armar uma grande lona (25 x 35 metros) para que a chuva não levasse morro abaixo, ou melhor, Boca Maldita abaixo as duas toneladas de terra.
Não há pedido que não seja atendido pela produção do FTC. Para a peça ‘‘Divinas Palavras’’, por exemplo, foi necessária a construção de uma arquibancada giratória para cem pessoas, no 20º Batalhão de Infantaria Blindada. Com supervisão de um cenotécnico do espetáculo, a engenhoca foi montada sobre grandes rodas e empurrada por cinco soldados cedidos pelo Batalhão. O peso total da arquibancada com o público: seis toneladas.
Bifes. Isso mesmo, bifes. Dois bons pedaços de carne bovina, além de batatas cozidas com casca, foram os pedidos digamos mais saborosos feitos até agora à equipe de Mana. O cardápio veio da produção do espetáculo ,‘‘Maligno Baal o Associal’’. Na ‘‘seção’’, entretanto, nada supera os dois fígados de boi crus pedidos, em 95, para o espetáculo ‘‘New York, New York’’.
Em se tratando de produção, o verbo improvisar também é conjugado várias vezes. Para o espetáculo ‘‘Tio Vânia’’, a ser apresentado no final de semana, o palco do teatro Sesc precisou ganhar alguns metros a mais para que a cenografia e atores não disputassem espaço. O jeito foi a construção de um avançado de 3,2 metros.
Isso sem contar quando os produtores dos grupos acham que determinado espaço, maior que o imaginado, precisa ser preenchido por isso ou aquilo. Claro, Mana e companhia fazem o possível mas... ‘‘Não é ufanizar, mas a realidade é que todas as exigências precisam ser atendidas para que o espetáculo saia perfeito. Mas é preciso haver bom senso dos dois lados’’- analisa. ‘‘Quando o público vê e aplaude um espetáculo não tem a mínima noção de que trabalhar nos bastidores é trabalhar no limiar do impossível’’- complementa.

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