No limiar do apocalipse
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de agosto de 1998
Ana Lúcia do Vale TV Press 
Um asteróide do tamanho do Texas está em rota de colisão com a Terra. Somente um homem poderá impedi-lo de destruir o planeta em Armageddon, que estréia hoje no Brasil. O salvador durão é Bruce Willis, que no filme faz o que mais sabe: o papel de Bruce Willis. O resto são efeitos especiais, algumas boas piadas e sequências de ação nessa produção de Jerry Bruckheimer com direção de Michael Bay, a mesma dupla do eletrizante A Rocha. O roteiro é bem parecido com o de Impacto Profundo, que já estreou no Brasil. A diferença é que Impacto trazia toques de melodrama no estilo da Dream Works, a produtora de Steven Spielberg, e o asteróide tinha o tamanho da ilha de Manhattan, em Nova York. Agora, é algo parecido com Minas Gerais, ou cerca de 700 km de diâmetro.
Armageddon começa com Nova York sendo destruída por uma chuva de meteoritos. O edifício da Chrysler é mais uma vez o alvo da destruição, da mesma forma que em Impacto Profundo e Godzilla. Um ônibus espacial também some e os cientistas da NASA percebem que o responsável por tudo é o tal asteróide gigante que vai atingir a Terra em 18 dias. É esse o tempo que o diretor da NASA, Dan Truman - feito por Billy Bob Thornton, de Na Corda Bamba - tem para montar uma equipe especial para acabar com o asteróide.
É aí que entra o duro de matar Bruce Willis. O ex-marido de Demi Moore faz Harry Stamper, um conhecido prospector de petróleo a grande profundidade. O diretor da NASA pede que Stamper junto com sua experiente equipe vá ao espaço para fazer um buraco de 300 metros de profundidade no asteróide. Assim, poderiam colocar uma bomba nuclear no interior do astronômico corpo celeste e parti-lo em vários pedaços que teriam a rota desviada da Terra.
Quase supérfluo dizer que o time de Stamper é formado por rapazes voluntariosos, indisciplinados, mas cheios de idéias brilhantes. Transformados em astronautas de primeira viagem em tempo recorde, obviamente não se encaixam dentro da rotina rígida e absolutamente regrada dos verdadeiros profissionais da NASA. No grupo de Stamper está A. J. Frost, vivido por Ben Affleck, o ator que ao lado de Matt Damon ganhou o Oscar de roteiro original por Gênio Indomável. Frost vive às turras com Stamper porque insiste em namorar Grace, a filha do chefe interpretada por Liv Tyler, de Beleza Roubada. A atriz é filha do vocalista do Aerosmith, o grupo que assina a nervosa e empolgante música-tema de Armageddon.
O sempre hilário Steve Buscemi também está em Armageddon, como Rockhound, um tipo muito inteligente que trabalha para Stamper. Quando estão no espaço, os pretensos astronautas param numa estação russa comandada por Lev Andropov, que é feito por ninguém menos do que Peter Stormare, que contracenava com Buscemi em Fargo. No filme dos irmãos Cohen, Stormare tinha um acesso de raiva e simplesmente triturava o personagem de Buscemi dentro de uma máquina. É interessante vê-los reunidos novamente em papéis tão distintos.
Armageddon começa com explosão e destruição e inevitavelmente termina em mais explosão. As quase duas horas e meia de duração do filme também são recheadas com mais explosões. Mas não se deve esperar personagens densos - a composição de Billy Bob Thornton é que mais se destaca - nem grandes dramas psicológicos. Armageddon é um filme de ação que muitas vezes deixa a lógica de lado para provocar a montanha russa de emoção do gênero. E nisso se sai bem.


