Há pouco mais de duas décadas, o rótulo ''maldito'' atraía simpatias ao ser associado a artistas da MPB que fugiam das convenções musicais e discursivas dominantes. Tom Zé, Jards Macalé, Luiz Melodia, Walter Franco, Jorge Mautner e Sérgio Sampaio foram alguns que receberam a pecha.
Posteriormente, nomes como Itamar Assumpção e Edvaldo Santana também seriam vinculados à linhagem, que parece manter a aura inspirando novos cantores e compositores. O paulista Wylmar Santos é um dos que adotaram o velho rótulo. Conhecido das noites da Baixada Santista, ele se apresenta esta semana pela primeira vez em Londrina.
Hoje e sexta-feira faz shows no Menina Bar e domingo sobe ao palco do Estação Café Brasil. Não por acaso, o show chama-se ''Baile dos Malditos'', título também de seus primeiros CD e DVD, ambos independentes. O CD está em fase de produção desde o ano passado. ''Procurei aliar meu lado compositor à pesquisa de repertório interpretando canções de gente como o paulistano Edvaldo Santana, o londrinense Bernardo Pelegrini e o potiguar Luiz Gadelha. Como intérprete, procurei dar a minha cara às músicas criando a possibilidade de surpreender os ouvintes'', salienta.
De acordo com ele, o disco está previsto para ser lançado no final desse ano. Já o DVD saiu antes, invertendo a ordem habitual de lançamento dos produtos. Traz o registro de um show feito em maio de 2008 no Teatro Municipal de Santos. Nele, Wylmar homenageia os heróis anti-mercado cantando vários temas da turma, além de canções de Adoniran Barbosa e Arnaldo Antunes. ''No sub-título, coloquei uma pergunta - malditos ou mal ouvidos? - para enfatizar a importância de artistas que têm obras legais mas que não são muito ouvidos pelo público'', diz.
Segundo ele, os músicos associados à vertente têm em comum uma linguagem diferenciada, que busca fugir do padrão introdução-canto-refrão-solinho. Em seu caso, a proposta tem um pé no samba e outro no rock. ''O que pra muita gente tem diferenças, pra mim tem aproximações'', afirma. Nos shows em Londrina, o artista terá a companhia dos músicos Guilherme Meduza (guitarra), Diogo Burka (baixo) e Vinicius (bateria).

Serviço
- Hoje e sexta-feira, 21h30
no Menina Bar (Av. Maringá, 1550)
Couvert a R$ 5
Mais informações - 3028-1550
- Domingo, 22h30
no Estação Café Brasil (R. Humaitá esquina com R. Monte Castelo)
Couvert a R$ 7
Mais informações - 3024-5411 e 9912-5959

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