No fundo do mar, um mundo completamente diferente
Uma viagem a Noronha fica incompleta se não incluir um mergulho, seja de apnéia (sem equipamentos), com snorkel ou com cilindro de oxigênio. Quem se aventurar a desvendar o fundo do mar encontrará no arquipélago 16 pontos de mergulho com formações rochosas, lajes, cavernas e grutas, que são a parte visível de uma cadeia de montanhas submersas, cuja base está a 4 mil metros de profundidade.
Até os inexperientes podem tentar o batismo, que é a primeira descida, com cilindro de oxigênio e acompanhada por um profissional. Uma das agências da ilha que oferecem o serviço é a Águas Claras. Uma boa sugestão é alugar a roupa de neoprene nas lojinhas perto do porto, para evitar sentir frio em alto-mar.
Depois de aprender e treinar os procedimentos básicos - o que fazer se sentir pressão nos ouvidos ou quando entrar água pela máscara, por exemplo -, chega a hora de mergulhar. O desconforto inicial e o medo de depender de um equipamento para respirar são inevitáveis. O surgimento de um mundo completamente diferente debaixo d'água, com cardumes de peixes coloridos, algas e pedras, vai minando as preocupações. E quanto mais tranquila for a respiração, menos oxigênio é consumido. Ou seja: o mergulho dura mais para quem está relaxado.
''Depois desse mergulho, posso dizer que 50% da beleza de Fernando de Noronha está na superfície e os outros 50%, lá em embaixo'', atesta o analista de sistemas Nathan Lerman, 48 anos, que estava pela primeira vez na ilha com a mulher, a produtora de moda Vanessa, de 41. ''Não devia ter esperado tanto para viver essa experiência'', complementou. Para Vanessa, o fundo do mar transmite uma muita paz. ''Foi lindo passar dentro de uma gruta e ver tantos peixes'', disse.
Também há a possibilidade de usar o próprio fôlego para conhecer o mundo subaquático. Nesta modalidade, conhecida por vôo submarino, o praticante se agarra a uma tábua e é puxado no fundo do mar por um barco que fica na superfície.
Um dos mergulhos com snorkel que mais vale a pena é o realizado na Praia do Atalaia, uma piscina natural de 40 centímetros de profundidade, ideal para ver diversas espécies marinhas, incluindo a feiosa moréia. A caminhada até lá é razoavelmente puxada e a recomendação é que se chegue cedo para ter acesso à piscina. No máximo cem pessoas podem desfrutá-la por dia, divididas em grupos de 20, para ficar no máximo 20 minutos.
O tempo é cronometrado por fiscais do Ibama, que vão pessoalmente retirar os mergulhadores que tentam ficar mais tempo. E para não prejudicar o desenvolvimento dos moluscos, crustáceos e peixes que habitam o local, o uso de bronzeadores e protetor solar é proibido.





