NO FIO DA NAVALHA
Jackeline Seglin
De Curitiba
Antonio e Karina vivem em uma pequena cidade chamada Nordestina, uma terra sem futuro, da qual os habitantes aos poucos vão se mudando. Apaixonado pela moça, Antonio se desespera no dia em que ela também decide ir embora. Para não perder sua amada, vai tentar levar o mundo para Nordestina. A história escrita no ano passado pela roteirista Adriana Falcão será contada em Curitiba numa encenação do diretor João Falcão. O espetáculo A Máquina, que estreou em Recife, será apresentado de hoje a sábado no Galpão 1, durante o 9º Festival de Teatro.
O surpreendente da história é o modo como Antonio resolve chamar a atenção para sua cidade natal. Ele promete viajar no tempo. Com esse fato, anuncia em um programa de televisão que vai para o futuro ver como andam as coisas, na tentativa de melhorar o mundo que vai dar de presente a Karina. Ao construir uma espetacular máquina da morte, ele dá como garantia sua própria vida.
Adriana Falcão conta que para seu texto chegar aos palcos não foi simples. Primeiro, ela tentou escreveu uma peça regionalista, encomendada pelo ator pernambucano Tuca Andrada. Desisti. Tinha uma trava, talvez por já ter um dramaturgo em casa, diz Adriana, referindo-se ao marido João Falcão. Mais tarde, João leu o que eu já tinha feito e se apaixonou. Escrevi, então, em forma de literatura, e ele adaptou, lembra.
Depois de assinar a direção dos espetáculos A Dona da História, com Marieta Severo e Andréa Beltrão, e Uma Noite na Lua, com Marco Nanini, o pernambucano João Falcão retoma suas origens, voltando aos primeiros trabalhos realizados com jovens atores desta vez, com um elenco misto de baianos e pernambucanos. É um trabalho com muito mais liberdade, aponta Adriana. A peça tem tudo o que está no livro e muito mais.
A montagem de A Máquina também possui um caráter diferenciado das demais produções e foi concebida para espaços alternativos. Falcão criou uma estrutura de palco circular giratório com quatro platéias, cujas arquibancadas abrigam 300 espectadores. São quatro atores que se revezam no papel de Antonio. Dessa forma, se o espectador volta a assistir ao espetáculo e senta em lugar diferente, também vai ver coisas diferentes no palco, exemplifica Adriana Falcão.
A trilha sonora foi criada por João Falcão e DJ Dolores, do movimento Mangue Beat, e traz músicas especialmente criadas por Naná Vasconcelos, Nação Zumbi, Mundo Livre, entre outros. A Máquina tem uma 1h10 de duração.
No ano passado, João Falcão esteve no Festival de Curitiba com o espetáculo A Ver Estrelas, escrito e dirigido por ele. O público apreciou a forma como o pernambucano apresentou a história de Jonas, o garoto que descobre e experimenta coisas estranhas ao seu universo.
FICHA TÉCNICA
Texto: Adriana Falcão
Direção: João Falcão
Assistência de direção: Tânia Nardini
Elenco: Lázaro Ramos, Gustavo Lago, Wagner Moura, Felipe Koury e Vladimir Britcha e Karina Falcão
Iluminação: Ney Bonfante
Direção de Produção: Chico Accioly
Figurino: Jefferson Miranda
Cenário: João Falcão
Trilha sonora: João Falcão e DJ Dolores





